Menopausa provoca tristeza
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de maio de 2006
Ciça Vallerio<br>Agência Estado 
Quanto menos se sabe a respeito da menopausa, mais negativa é a opinião que se tem sobre essa fase da vida reprodutiva da mulher. Estudo realizado pelo Ibope - e elaborado pela Sociedade Brasileira do Climatério (Sobrac), com financiamento da empresa Wyeth Farmacêutica - mostrou que, em 65% das entrevistadas, a menopausa gerava tristeza. Das 2.002 mulheres consultadas com mais de 45 anos, em todo o Brasil, no ano passado, 76% estavam na menopausa. Mesmo assim, quase metade (43%) não havia procurado um médico para tratar da questão. Embora a maioria (88%) acreditasse que os sintomas poderiam ser aliviados, boa parte(76%) nunca havia feito uso da terapia hormonal (TH).
A pesquisa, intitulada A Percepção das Mulheres em Relação à Menopausa e à Terapia de Reposição Hormonal, demonstrou que a interrupção da menstruação não é vista pela brasileira como principal sintoma da menopausa - o que seria o correto. A maioria acredita que as ondas de calor (fogachos) e alterações de humor são os verdadeiros sinalizadores dessa fase. Um erro, pois tais sintomas se referem ao climatério, momento que antecede a menopausa.
Na opinião do ginecologista César Eduardo Fernandes, coordenador do estudo e presidente da Sobrac, a palavra menopausa é fortemente estigmatizada. Muitas acreditam que ficam menos mulher. Confundem sexualidade com reprodução. Claro que a intensidade do desejo diminui com o passar do tempo, mas há tratamentos seguros para minimizar os incômodos e fazer com que levem uma vida sexual ativa.
O importante é entender o que está acontecendo com o corpo, no período em que a produção do hormônio feminino (o estrogênio) cai drasticamente, chegando próximo a zero. Mudanças que ocorrem entre 49 e 51 anos.
Bíblia da Menopausa Acaba de ser lançado o livro que merece tal título por falar de forma ampla sobre o tema. É a versão brasileira da publicação americana pela Editora CMS:
Aqui, a edição recebeu a chancela de dois médicos: Wladimir Taborda, coordenador de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Israelita Albert Einstein, e Mariano Tamura Gomes, também ginecologista do mesmo setor. Juntos, adaptaram e atualizaram informações preciosas.
Tem de tudo, mas, principalmente, tenta fazer com que a mulher vivencie a menopausa de maneira natural, saudável e otimista, diferentemente da imagem negativa associada a essa fase, observa Gomes. É essencial que se perceba que o momento marca o final da fase reprodutiva, mas pode significar um tempo para buscar outras oportunidades e repensar novas prioridades.
Os sintomas desconfortáveis que antecedem a menopausa, o chamado climatério, têm destaque. Assim como as diferentes terapias utilizadas para atenuá-los, com seus prós e contras.


