Meninos vivem em galeria de esgoto em Campinas
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domingo, 28 de fevereiro de 1999
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 01 (AE) - Uma galeria escura sob a Avenida Orozimbo Maia, por onde passa o esgoto no centro de Campinas, foi o local escolhido como moradia por sete jovens. Os meninos-ratos, como são conhecidos, passam os dias em meio a cobertores imundos e restos de comida. De dia, pedem dinheiro nos semáforos, à noite, consomem maconha e crack.
Até o início do ano o grupo era formado por nove garotos. No dia 30 de janeiro, porém, um deles, o Tatu, foi morto com uma facada no pescoço. O autor do crime foi outro menino, conhecido como Marcelo, que nunca mais foi visto no local. Ele tentava defender Tatu durante uma briga e errou o golpe, acertando o amigo. A confusão foi causada pelo sumiço de três pedras de crack.
Nem mesmo a morte do adolescente, que chocou os moradores e chamou a atenção para o drama, serviu para mudar a vida dos meninos-ratos. "Não podemos mais aceitar essa situação", disse hoje o secretário municipal de Assistência Social, Arly de Lara Romêo. Segundo ele, a prefeitura pretende pôr em ação um plano para acolher e orientar os menores.
"Fizemos um levantamento para saber quantos adolescentes moram nas ruas da cidade", conta. De acordo com ele, 87 menores vivem nessa situação. Desses, 32% são dependentes de drogas e 30% vieram de cidades vizinhas. "Estamos tentanto identificar as famílias para reconduzi-los às suas casas."
A prefeitura também está pedindo ajuda ao Estado para construir uma instituição destinada ao acolhimento de meninos de rua envolvidos com drogas. A administração municipal quer que o governo financie a construção, orçada em R$ 200 mil. "Nós arcaríamos com os equipamentos e equipe técnica", diz o secretário.
A nova instituição complementaria o trabalho desenvolvido pelo Projeto Casa Amarela. Mantido pela prefeitura desde 1993, o órgão foi criado pelo ex-prefeito José Roberto Magalhães Teixeira para acolher meninos e meninas de rua e encaminhá-los. Hoje, 350 menores participam das atividades desenvolvidas nas oficinas de artesanato e cursos profissionalizantes.


