Gaza, 26 (AE) - No dia 10 de abril de 1973, Yasser Nadjar, então com 11 anos, viu seu pai, Muhamad, um dos chefes da organização terrorista Setembro Negro - responsável pelo assassinato dos atletas judeus nas Olimpíadas de 1972, em Munique - ser morto por soldados do Exército israelense. Hoje, Nadjar é um dos principais economistas do Ministério do Planejamento da Palestina e Ehud Barak, que comandou a operação, o primeiro-ministro eleito de Israel.
Nadjar, que já deu entrevista para um jornal palestino, contou à AE, por telefone, de Gaza, sua versão para uma das operações militares mais audaciosas e bem-sucedidas do Exército israelense. Barak teve de desembarcar em Beirute vestido de mulher (com uma peruca loura) para despistar a polícia local.
"Acordamos à 1 hora da madrugada com um barulho forte de rajadas de metralhadora. Minutos depois, a porta foi arrombada e entraram três ou quatro homens. Minha mãe tentou impedir, mas eles foram direto para o quarto do meu pai e atiraram. Barak veio até o quarto em que estávamos e ordenou aos soldados que continuassem atirando e nos mandou ficar calados."
O economista diz que a condução do processo de paz entre palestinos e judeus, tão necessário aos dois povos, esbarra em dificuldades culturais e até mesmo individuais. "O conflito é tão profundo que chega a ser pessoal", diz.

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