Nova York, 29 (AE-AP) - Edwin Daniel Sabillion, de 13 anos, perdeu sua família na devastação provocada pelo furacão Mitch em Honduras no ano passado. Sozinho, ele saiu em busca de seu pai - a quem conhece apenas por fotos instantâneas - e que mora em algum lugar em Nova York. Por 37 dias, ele pediu carona, pegou ônibus e chegou a caminhar a pé todo o percurso de Honduras para o México, passando pelo Texas, Flórida e, finalmente, Nova York. Ao chegar na metrópole não encontrou seu pai, mas sua história comoveu as autoridades novaiorquinas, incluindo o prefeito Rudolph Giuliani. Antes de iniciar sua odisséia, Edwin escreveu para o pai e recebeu como resposta a quantia de US$ 200,00 para as despesas de viagem e instruções para que fosse encontrá-lo na rua de acesso ao Aeroporto Internacional de LaGuardia, entre os dias 25
26 e 27 de junho. Na carta, ele dizia que estaria usando uma camiseta branca. As autoridades tomaram conhecimento da aventura do menino de Honduras no domingo, quando ele e um motorista de táxi não conseguiram localizar o pai no aeroporto de LaGuardia. Edwin foi levado para a delegacia de polícia do Bronx, onde os policiais se afeiçoaram a ele. "Ele comeu um lanche do McDonalds e um bolo de sorvete", disse o capitão Thomas Kelly, da polícia de Nova York. "O motorista de táxi comprou um par de patins e nós demos algumas roupas", acrescentou. À polícia Edwin contou que sua mãe, Angela Enamorado, seu irmão de 14 anos Alexander, e seu avô estavam entre os mais de seis mil hondurenhos que morreram na passagem do furacão Mitch na América Central no ano passado. Após a morte de seus familiares, Edwin ficou morando com amigos na sua vila, em San Francisco de Yojoa Cortez. Em 22 de maio, ele começou sua jornada. Edwin seguiu para o norte através da Guatemala e a costa ocidental do México, entrando no Texas próximo a Brownsville. Depois, ele subiu para Houston antes de continuar para leste em direção à Miami. Quando chegou em Miami, no sábado, Edwin acreditava que estava realmente perto de Nova York. Assim, ele entrou numa cafeteria para pedir uma ajuda final. "Ele entrou para trocar uma nota de US$ 5,00 para que pudesse tomar um ônibus", disse Emilio Jose Jimenez, um cliente regular do local. Jimenez e outros frequentadores do estabelecimento doaram dinheiro para que o menino pudesse comprar uma passagem de ônibus para Nova York, de US$ 109,00. "Ele disse que durante a sua viagem não teve tempo nem dinheiro para dormir e comer o suficiente", contou Jimenez. O menino havia perdido sua maleta e o número de telefone de seu pai, "mas ele estava feliz porque estava indo encontrá-lo", acrescentou. No domingo, Edwin chegou ao terminal de ônibus em upper Manhattan, fez sinal para um táxi e tomou a direção do aeroporto de LaGuardia. "Eles foram a dois diferentes locais do aeroporto e o motorista de táxi começou a ficar preocupado", disse o capitão de polícia Kelly. "E foi assim que ele chegou até nós". Edwin, que não fala inglês, foi colocado sob custódia do serviço de assistência à criança da cidade até que seu pai seja encontrado. O prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, prometeu ajudar o menino. A polícia, por enquanto, não faz comentários claros sobre o status de imigração do pai. As autoridades têm feito apelos ao pai do garoto - identificado como Grevi Sabillion Vasquez - para que este se apresente. A polícia acredita que ele mora próximo ao bairro do Queens. Isso significa que Edwin e seu pai estão separados agora por apenas alguns quilômetros.

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