Porto Alegre - A localização do corpo do menino Bernardo Uglione Boldrini, de 11 anos, na noite de segunda-feira, encerrou uma busca que já durava dez dias e comoveu o Rio Grande do Sul porque a polícia diz ter evidências de envolvimento do pai, da madrasta e de outra mulher no crime. A investigação da delegacia de polícia de Três Passos, no Noroeste do Estado, corre em segredo de Justiça e deve esclarecer mistérios como o que teria levado os suspeitos a cometer tal ato, qual foi a participação exata de cada um no desaparecimento e se o garoto foi morto pela aplicação de uma injeção letal.
O sumiço de Bernardo foi comunicado à polícia pelo pai, o médico Leandro Boldrini, de 38 anos, no domingo, 6 de abril, quando ele teria percebido que o menino não voltava depois de passar o fim de semana na casa de vizinhos. Pelos dez dias seguintes os moradores da cidade de 24 mil habitantes, localizada a 470 quilômetros de Porto Alegre, se mobilizaram em campanhas pela localização do garoto.
A investigação policial encontrou contradições entre os depoimentos dos familiares e descobriu que em 4 de abril, dia em que Bernardo teria saído de casa, a madrasta, Graciele Ugulini, de 32 anos, formada em enfermagem, foi multada por excesso de velocidade em uma viagem a Frederico Westphalen, a 80 quilômetros de Três Passos. Policiais rodoviários informaram que o garoto estava no automóvel na ocasião. Posteriormente, a polícia localizou Edelvânia Wirganovicz, de 40 anos, amiga da madrasta, que, depois de algumas negativas, teria indicado a localização do corpo.
Na noite de segunda-feira os policiais encontraram o garoto morto, enterrado dentro de um saco de plástico em um matagal próximo de um riacho em Frederico Westphalen. Também cumpriram mandados de prisão temporária contra o médico, a madrasta e a amiga da madrasta, que foram levados a presídios de outras cidades por razões de segurança. Dezenas de pessoas foram para a frente da casa da família demonstrar revolta e indignação, ao mesmo tempo em que acendiam velas e depositavam flores e mensagens para Bernardo.
A delegada Caroline Bamberg Machado disse ontem que, pelas exigências do segredo de Justiça e também para não prejudicar o trabalho, não daria maiores detalhes da investigação. Mas demonstrou convicção de que os três presos estão envolvidos com o crime. "Eu não tenho dúvida da participação deles, o que precisamos e o que é importante para conseguir uma condenação é identificar o que cada um fez, qual é a parcela de culpa de cada um", afirmou.
Ao mesmo tempo em que apura os envolvimentos, a polícia descarta conexões do caso de Bernardo com outros dois que também tiveram repercussão local. O primeiro é o da morte da mãe do garoto, Odilaine, por suicídio, dentro da clínica do pai, há quatro anos. O segundo é a morte da estudante Kimberly Ruckert, de 22 anos, encontrada queimada dentro do carro da mãe, que é escrivã de polícia em Três Passos, no sábado passado.
Professores, vizinhos e colegas descrevem Bernardo como um garoto educado e atencioso, mas também revelam algumas situações de carência afetiva. No final do ano passado, a pedido do Conselho Tutelar, o Ministério Público tratou do caso e em fevereiro deste ano chegou a propor que a avó materna, moradora de Santa Maria, ficasse com a guarda do garoto. A promotora Dinamárcia de Oliveira contou que ele não se queixava de agressões físicas, mas de descaso do pai e da madrasta e queria morar com outra família. À época, o pai propôs uma retomada da relação e o menino concordou.

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