Menino obtém visto para os EUA
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terça-feira, 26 de novembro de 1996
Agência Estado 
RIO - O menino Carlos Alexandre Rossi, de 6 anos, vai poder viajar em janeiro para os Estados Unidos. O Consulado norte-americano do Rio, após duas negativas, concedeu enfim seu visto de entrada no país, com validade até 20 de novembro de 2001. Após 46 dias de idas e vindas ao consulado, os pais de Carlos, Mônica e Luís Rossi, demonstravam ontem certo alívio pela obtenção do documento, mas mantiveram as críticas ao tratamento discriminatório dispensado a eles pelos funcionários do consulado. Foi racismo e espero que toda essa polêmica ajude a amenizar o problema de outros, que são rejeitados sem explicação convincente, disse Luís.
Carlos é o único menino negro de uma turma de 15 alunos - inscritos para um curso de extensão em inglês na Flórida - que teve seu visto negado. Foi preciso a intervenção do senador e reverendo norte-americano Jesse Jackson para que a situação fosse contornada. Nas duas visitas iniciais ao consulado, Luís Rossi ouviu a mesma história: Seus documentos foram preenchidos equivocadamente. Ele recorreu à Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e mostrou que a documentação entregue no consulado estava correta.
Ontem, às 14h30, Luís voltou ao consulado com o protocolo. Não entrou na fila, por orientação do cônsul Robert Taylor, e recebeu apoio de populares.
Manifestação O grupo de teatro gaúcho Falos e Estercus fez uma manifestação de uma hora na porta do Consulado, em solidariedade a Carlos Alexandre. Numa paródia a um samba de Assis Valente, o grupo cantou: O tio Sam está querendo conhecer a nossa batucada/Anda dizendo que o molho da baiana melhorou seu prato/Só que proíbe que o negro brasileiro vá ao seu barraco.


