Foi enterrado ontem, no Cemitério Municipal de Boituva, a 120 quilômetros de São Paulo, o estudante Hugo José Salomão da Silva, de 8 anos, atacado e morto anteontem, por um cão da raça rottweiler, pertencente à família do garoto. O menino teve o pescoço dilacerado pelas mordidas do cão logo depois de um assalto ao supermercado da família, no centro da cidade, por volta das 13 horas. O enterro, num clima de comoção, atraiu centenas de pessoas. Hugo faria 9 anos em maio.
A mãe do garoto, a advogada Sandra Regina Salomão Macruz da Silva, passou mal e recebeu atendimento médico. Até a tarde, os cinco assaltantes não tinham sido presos.
‘‘Estamos investigando algumas pistas’’, disse o delegado João Proença Neto. Ele começou a ouvir testemunhas. Quando invadiram o estabelecimento, estavam no local o comerciante José Antonio Macruz da Silva, sua esposa, os dois filhos do casal - Hugo e a menina Ieda, de 6 anos -, e o gerente Rubens Donizete Martins. Os adultos tiveram as mãos amarradas e todos foram levados para um banheiro. Após a fuga da quadrilha, eles arrombaram a porta e chamaram a polícia.
Foi nesse momento que o garoto saiu para os fundos e foi atacado pelo cão. ‘‘Provavelmente o rottweiler estava agitado com o assalto e o barulho da polícia’’, disse Martins. Ele contou que o menino ainda estava vivo quando, com dois policiais, tentara levá-lo ao hospital. ‘‘Ele morreu nos meus braços’’.
Foi a avó de Hugo, Zilá Antunes, quem deu o cachorro de presente à família. ‘‘O supermercado já tinha sido assaltado oito vezes e eu nunca poderia imaginar que fosse acontecer uma desgraça dessas’’, dizia ontem, inconformada.
CampinasO aposentado Mário Lacerda, de 66 anos, atacado por um cachorro da raça fila, sábado pela manhã deixou ontem a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital de Campinas. O animal mordeu Lacerda nos braços, pescoço, rosto e na cabeça. O aposentado perdeu o lábio inferior e um pedaço da orelha direita, teve traumatismo craniano, passou por uma cirurgia neurológica e seu estado ainda é considerado grave.
Lacerda foi atacado a uma quadra de sua casa, na Rua Ferdinando Panattoni, Jardim Paulicéia, quando ia para uma padaria. Segundo testemunhas, o fila escapou quando sua dona, Rosana Fedrigo, abriu o portão da casa para tirar o carro da garagem. A vítima foi socorrida por Rosana, que a levou para o hospital.
O aposentado foi salvo por vizinhos, que despertaram com os gritos da dona do cachorro pedindo socorro. Ela disse ter ficado surpresa com o comportamento do animal. Segundo ela, a cão é ‘‘dócil’’ e nunca mordeu ninguém. Rosana tem outro cachorro da mesma raça.
Lacerda terá de passar por uma cirurgia plástica no rosto. A família de Lacerda pretende processar a dona do cachorro. É a segunda vez em duas semanas que moradores de Campinas atacados por cães ficaram gravemente feridos. No dia 21 de março o aposentado Nadir Amaral Barbosa, de 71 anos, foi ferido no braço direito e pescoço por um cão da raça pitbull.

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