Menino é encontrado acorrentado em casa
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sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Aline Vilalva <br> Reportagem Local 
Londrina - Um garoto de 9 anos foi encontrado acorrentado a um sofá em uma residência localizada na Vila Claro, em Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro). Os policiais chegaram à casa depois de receberem denúncia anônima. O caso ocorreu na quinta-feira.
Segundo o subtenente Augusto Simão da Silva, do 2º Batalhão da PM de Jacarezinho, que atende Santo Antônio da Platina, o menino estava sozinho, preso a uma corrente de um metro, sem acesso a alimentação ou banheiro.
De acordo com a mãe do garoto, ele apresenta distúrbios psicológicos e até hoje não pode ser contrariado ou repreendido porque fica nervoso. ''Ele é agressivo. Tudo tem que ser da maneira dele'', disse.
Segundo ela, frequentemente o filho foge de casa. ''Chega a sair às 5 horas e voltar à meia-noite. Até então eu achava que era para brincar, mas há uns 15 dias vieram me dizer que ele está fumando cigarro e envolvido com drogas. Meu primo até o encontrou em uma rodinha de usuários, mas ele não estava usando'', relatou.
A mãe contou que conversou com o filho, mas ele negou que esteja fumando. Ela estranha, no entanto, o desespero dele para ir para a rua. ''Além disso, ultimamente, tem roubado dinheiro meu e também do meu marido'', afirmou.
Ela acorrentou o garoto por volta das 10 horas de quinta-feira para ele não fugir porque tinha que sair para trabalhar e o filho não queria acompanhar a irmã no dentista. ''Como o dentista fica a três esquinas de casa e a minha filha não ia demorar, o prendi à corrente. No entanto, por volta das 10h40 já fui informada que a polícia estava lá'', disse.
O conselheiro tutelar Davi Silva, que acompanha o caso do garoto há quatro anos, confirmou que ele apresenta problemas psicológicos há muito tempo. ''Estou no caso desde 2008, quando houve um incêndio na casa da família. Como a mãe não tinha residência fixa, as quatro crianças foram morar com a avó, que não tinha condições psicológicas nem financeiras para cuidar deles, então, o menino e os irmãos ficaram no abrigo por dois anos.''
Para Davi, o garoto não assimilou bem o tempo que passou no abrigo, por ser muito novo e ficar longe da mãe, e começou a apresentar distúrbios psiquiátricos. ''Ele passou por acompanhamento com um psiquiatra de adultos, que o encaminhou para um infantil, mas desde 2011 envio requerimentos ao município e não tenho retorno'', afirmou.
O chefe de gabinete da Prefeitura, Joel Rauber, afirmou à FOLHA que não houve omissão do município. ''De acordo com os nossos relatórios, desde 24 de fevereiro de 2011 o garoto recebe tratamento no Centro de Apoio Psicossocial (Caps) do município'', disse. Segundo ele, como a cidade não dispõe de psiquiatra infantil público, o município abriu licitação e contratou uma clínica médica de Londrina para atender o garoto. ''O contrato foi feito em fevereiro deste ano, mas a mãe ainda não levou o menino'', reiterou.
A criança foi encaminhada ao Conselho Tutelar, onde os responsáveis assinaram um termo de entrega e advertência. Na delegacia, o casal foi liberado depois de assinar um termo circunstanciado. Eles vão responder, em liberdade, pelo crime de maus-tratos. O garoto voltou com os pais para casa.


