Menino de Honduras continua a comover os Estados Unidos
Washington, 30 (AE-ANSA) - A história do menino hondurenho, protagonista de uma fábula que ele mesmo inventou, continua a comover os norte-americanos. Edwin Sabillon, de 13 anos, chegou ontem (29) a Nova York sensibilizando a todos com o seu relato de como atravessou meio continente - desde Honduras - a pé ou pegando carona em busca de seu pai, a quem jamais havia conhecido. Todos acreditaram. O taxista que o levou da estação de ônibus ao aerporto de LaGuardia - onde devia encontrar-se com seu pai - queria adotá-lo, o prefeito Rudolph Giuliani o elogiou como "símbolo das virtudes dos imigrantes" e os policiais o encheram de doces. As aventuras do pequeno Edwin, que estamparam as primeiras páginas dos jornais e ocuparam espaço nobre nos noticiários de tevê, chegaram também aos seus parentes em Honduras e na Flórida. Porém, o relato não coincidia. O pai com quem o garoto queria se encontrar tinha morrido de aids em outubro do ano passado e a mãe, supostamente uma das milhares de vítimas do furacão Mitch, está viva em Honduras - onde abandonou o filho logo após o seu nascimento. Uma realidade dura demais para a sensibilidade do menino. "O problema é que ele não aceita a morte de seu pai", disse Jemmy Rodríguez, uma prima que vive em Miami. Através do testemunho de seus parente e de conversas com o próprio garoto, a polícia reconstruiu uma versão dos fatos completamente distinta da contada inicialmente por Edwin. No entanto, não menos comovente. O menino, criado desde seu nascimento pelos avós paternos em Honduras, tinha fugido meses atrás para a casa de seus tios em Miami. Uma parte da fábula original, contudo, é verdadeira, de acordo com o relato "ajustado" do rapaz - ainda que os desfechos não se encaixem. Além disso, havia feito sozinho a viagem para a Flórida, atravessando a Guatemala e o México por meio de carona. Entretanto, os parentes de Edwin confirmaram que o seu pai, Grevic Sabillon, deixou Honduras há oito anos com destino a Miami, onde trabalhou como pedreiro de construção. Grevic enviava regularmente dinheiro para a família que ficou em Honduras. No ano passado, ele descobriu que estava com aids e voltou para casa, onde morreu em outubro. Há dois meses, Edwin viajou a Miami, onde foi recebido na casa de uma tia. Sua prima Jemmy contou que ele era um garoto "difícil". "Edwin não queria ir à escola, somente queria trabalhar e manter a avó, como havia feito seu pai", disse a prima. As autoridades norte-americanas continua investigando o caso. Por enquanto, o pequeno Edwin Sabillon está sendo cuidado por uma família de origem latinoamericana de Nova York.





