Um menino de atrês anos morreu após ser picado por um escorpião em Cambará (Norte Pioneiro). A criança deu entrada no pronto socorro do Hospital Municipal de Cambará às 8h45 do domingo (13) e na mesma manhã foi transferida para a Santa Casa de Jacarezinho, também no NP, onde recebeu soro antiescorpiônico. Na tarde de domingo, o menino foi transferido novamente, desta vez para o HU (Hospital Universitário) de Londrina, onde morreu na segunda-feira (14). Nos últimos cinco anos, unidade referência do HU de Londrina registrou 1.926 casos de ataques de escorpião

A diretora do hospital de Cambará, Izabel Cristina Sencio Pucci explica que o menino, ao chegar na unidade, já foi encaminhado para sala de emergência, mas apresentava sinais vitais normais e não tinha febre. Após avaliação médica, às 9h02 foi feito o contato com a Santa Casa de Jacarezinho para a transferência, que aconteceu às 10h17.

A diretora aponta que a evolução do quadro foi muito rápida e, em poucos minutos após a entrada, a criança começou a apresentar sinais de agitação psicomotora. "A picada foi no segundo dedo do pé esquerdo. Todos os recursos que tínhamos foram aplicados de forma rápida ao paciente”, afirma Pucci.

Sem soro em Cambará

O secretário de Saúde de Cambará, Ronaldo Guardiano, esclarece que a cidade não conta com soro antiescorpiônico e, por isso, o menino foi transferido para Jacarezinho. Lá, ele a criança recebeu o soro mas, detalha o secretário, diante da gravidade, precisou ser novamente transferido de helicóptero para o HU de Londrina. Ele deu entrada ainda no início da tarde de domingo, por volta das 14h, mas faleceu na tarde de segunda-feira, às 16h.

“As complicações pelo envenenamento levaram à parada cardiorrespiratória e, mesmo com toda assistência da equipe multiprofissional, foi constatado o óbito”, explicou o hospital em nota encaminhada pela assessoria de comunicação.

Guardiano detalha que a família chegou ao PS já comunicando a respeito da picada do animal peçonhento, que depois foi identificado como um escorpião-amarelo.

O secretário ainda complementa que cobrou o envio de soro contra animais peçonhentos para o serviço de saúde da cidade em uma reunião no dia 26 de junho, o que foi negado. Ele aponta que a 19ª Regional de Saúde não fornece o soro antiescorpiônico para os municípios que englobam a rede, apenas para o hospital de referência que, no caso, fica em Jacarezinho.

Em nota, a Sesa (Secretaria de Estado da Saúde do Paraná) lamentou profundamente a morte da criança e disse que a responsabilidade pela aquisição e distribuição dos antivenenos é do Ministério da Saúde.

“A armazenagem no Paraná acontece nas Regionais de Saúde, que tem estoque para atender as demandas. Quando é registrado um caso que necessite do insumo, o município deve acionar a Regional de Saúde para atendimento imediato”, explica.

Sobre o caso, a Sesa afirmou que a 19ª Regional de Saúde de Jacarezinho não foi acionada pelo Hospital Municipal de Cambará e nem pela Santa Casa de Jacarezinho. A pasta também acrescentou que a sede da regional fica a apenas 20 minutos de carro do hospital de Cambará.

“A 19ª Regional já iniciou um processo de investigação e já enviou equipes para o município de Cambará para busca ativa destes animais”, concluiu.

Idoso também foi picado

O secretário explica que a cidade já registrou outros casos envolvendo picada de escorpião, mas garante que esse é o primeiro óbito. Segundo ele, a maioria dos casos envolve pessoas adultas e que, por vezes, não precisam do soro.

Inclusive, na segunda-feira, um idoso deu entrada no serviço médico de saúde do município também por picada de escorpião, mas tomou antialérgicos e ficou em monitoramento, sendo liberado na sequência.

Aplicação o mais rápido possível

De acordo com o Instituto Butantan, o soro antiescorpiônico neutraliza o veneno que está em circulação, mas reforça que a aplicação deve ser o mais rápido possível após a picada do animal peçonhento.

“No organismo humano, o veneno dos escorpiões causa alterações na região da picada, principalmente dor. O veneno age também no sistema nervoso autônomo, que controla a temperatura corporal e as funções de digestão, respiração e circulação sanguínea", explica o Instituto.

"Desta forma, o paciente pode apresentar náuseas e vômitos, dor abdominal, agitação, aumento na pressão sanguínea que pode posteriormente evoluir para queda e mesmo choque. A lesão cardíaca provocada pelo veneno pode dificultar o bombeamento do sangue pelos pulmões, com acúmulo e dificuldade respiratória”, acrescenta.

CIATox do HU de Londrina

De acordo com o Hospital Universitário de Londrina, o CIATox (Centro de Informações e Assistência Toxicológicas) atendeu 1.926 casos de picadas de escorpião nos últimos cinco anos. Os dados são de 2021 e vão até o dia 14 de julho de 2025. A grande maioria dos casos envolve o escorpião-amarelo, com 1.257 ocorrências.

Além do menino de três anos, outras duas pessoas morreram por conta do veneno: uma criança de 10 anos, moradora de Sertaneja, e uma pessoa de 46 de Guaraci, ambos os casos registrados em 2021.

A equipe multiprofissional da unidade envolve médicos, farmacêuticos e enfermeiras, além de estudantes estagiários destas áreas, funcionando em regime de plantão permanente, 24 horas por dia, initerruptamente, junto ao Pronto Socorro do HU e nos canais de atendimento telefônico (43) 3371-2244 e 3371-2422.

Prevenção e cuidados

Em casos de acidente envolvendo animais peçonhentos, a recomendação é lavar o local com água e sabão e beber somente água para manter uma boa hidratação. Na sequência, a pessoa deve ser encaminhada com urgência para a unidade de saúde mais próxima para receber o atendimento médico adequado.

Se for possível capturar o animal, é recomendado levar junto, mesmo se estiver morto, ou fazer uma foto de boa qualidade para identificar o tipo e a espécie do animal.

Como a prevenção é sempre a melhor opção, a orientação é manter a casa e o quintal sempre limpos e livres de entulho e lixo. O ideal é usar luvas e botas antes de mexer no quintal, principalmente se estiver próximo de matas, pomares e nas margens de rios e lagos.

Eliminar as baratas também ajuda a evitar que os escorpiões apareçam, já que é o alimento preferido dos escorpiões. Além disso, é recomendado examinar os calçados e roupas antes de vesti-los e vedar soleiras de portas, frestas em janelas, buracos em paredes e em assoalhos que permitam a entrada desses animais dentro de casa.

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