São Paulo, 28 (AE) - Aos 10 anos de Marcelo Santos Gomes experimentou pela primeira vez o cigarro. Um ano depois, "incentivado" pelos mesmos amigos, começou a fumar maconha e conviver com traficantes. No fim da noite de ontem (27), com apenas 12 anos, Marcelo foi assassinado com três tiros de revólver calibre 38. Estava a duas quadras da casa onde morava com os pais e quatro irmãos, no bairro da Vila Joaniza, zona sul de São Paulo.
"Fizemos de tudo para tirar o Marcelo das drogas, mas foi impossível", contou o faxineiro Carmino Gomes, de 58 anos, pai do estudante. "As más companhias foram mais fortes que nós, sua família." De acordo com a polícia, às 22h40 Marcelo foi baleado por desconhecidos que fugiram sem deixar pistas. Foram dois tiros no abdome e um nas costas. O garoto morreu na hora.
"Me chamaram em casa e, quando fui ver, era meu filhinho que estava lá no chão", disse Gomes, enquanto liberava o corpo do filho no Instituto Médico-Legal, na manhã de hoje. "Eu educava o meu filho de um jeito honesto, mas a rua foi cruel com ele."
Inteligente - Marcelo estava cursando a 5.ª série de uma escola estadual localizada na região. "Ele era muito inteligente e tinha futuro, mas, depois que começou a usar drogas, ficou muito agressivo", relatou o pai. "Faltou também um apoio da escola, que não tem atividades como esporte para distrair a cabeça do jovem."
Segundo o faxineiro, Marcelo passava todas as noites na rua. "Muitas vezes ele chegava de madrugada e bem alterado, eu assistia a tudo e não conseguia fazer nada."
O garoto foi enterrado na tarde de hoje, no Cemitério do Campo Grande, na zona sul. O crime foi registrado no 80.º Distrito Policial, na Vila Joaniza. Por enquanto não há pistas dos assassinos. A polícia foi informada de que o garoto, para conseguir a droga, trabalharia para traficantes da região.
Uma equipe especializada em crimes contra a criança e o adolescente, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), também vai investigar o caso.

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