Brasília, DF - Em evento sobre erradicação do trabalho infantil ontem no Palácio do Planalto, Cosme de Oliveira Júnior, 11, fez em discurso lido uma série de cobranças ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Pediu a ele mais fiscalização no programa Bolsa-Família e que saia às ruas para ver a realidade do país.
Após ler o discurso cuja autoria foi atribuída pelos organizadores do evento a crianças e adolescentes recém-beneficiados pelo Peti (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), o menino de Conceição do Coité (BA) foi aplaudido de pé pelas cerca de 300 pessoas presentes ao evento. Oliveira Júnior trabalhou quatro anos em sisaleiros no Estado.
''Eu queria que o senhor voltasse às ruas para ver a realidade de hoje. A situação é precária'', disse o menino no seu discurso. O texto lido por Oliveira Júnior também pedia mais verbas para os programas sociais. ''É preciso fiscalizar mais o Bolsa-Família, uma maior fiscalização no trabalho infantil, além de mais recursos (para o programa) e mais empregos para os adultos'', disse o menino baiano.
''O senhor se lembra de quando era pequeno? E como o senhor se sentia quando era uma criança pobre e trabalhadora? Eu tenho certeza de que não gostava, pelo o que o senhor passou na infância. Deve saber como é passar fome'', declarou o menino. E encerrou sua fala: ''Naquela época ninguém tomou atitudes sérias sobre isso. É hora de você mudar essa situação.''
No evento de ontem, o presidente recebeu o Termo de Compromisso para a Erradicação do Trabalho Infantil, que ganhou a assinatura de todos os governadores nos últimos cinco meses durante a caravana sobre o tema. O ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, anunciou que os beneficiários do programa serão incluídos no cadastro único da pasta.
Ao falar, Lula lembrou de sua infância e deu algumas respostas ao discurso de Cosme de Oliveira Júnior. ''Vocês têm acompanhado, de vez em quando vocês têm visto críticas, algumas justas, outras não justas, ao programa Bolsa-Família.''

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