Meningite continua avançando em Campinas
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quarta-feira, 22 de março de 2000
Por Clayton Levy 
Campinas, SP, 23 (AE) Subiu para 276 o número de pacientes com meningite viral na região de Campinas (SP) segundo balanço da Divisão Regional de Saúde (DIR). Somente nos últimos cinco dias, foram notificados mais 49 casos da doença. O Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, está realizando exames para esclarecer se o surto está relacionado à vacinação em massa contra a febre amarela, realizada de 05 de fevereiro a 03 de março região.
O diretor da DIR, Marcelo de Carvalho Ramos calcula que em março deverão ser registrados pelo menos 100 casos da doença, enquanto a média mensal normal varia de vinte a 40. Embora o balanço ainda não esteja fechado, ele acredita que o primeiro trimestre deverá totalizar 300 casos. No mesmo período do ano passado, quando também houve um surto, 195 pessoas apresentaram a doença. De janeiro a março de 1998 foram notificados 100 casos.
Das 276 pessoas que apresentaram a doença esse ano, 86 tomaram a vacina contra a febre amarela. "É um indício de que o surto pode não estar associado à vacina, já que apenas 30% das pessoas imunizadas tiveram meningite", explica. Mesmo assim, o diretor da DIR não descarta a hipótese de o surto estar relacionado à campanha de vacinação. "Vamos esperar pelos resultados, que apontarão o agente causador", explica.
As análises foram solicitadas há quinze dias e deverão ser concluídas dentro de duas semanas. Segundo Ramos, se as amostras revelarem a presença do vírus da febre amarela, será um indício de que os casos de meningite estariam relacionados a vacina. Técnicos da Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo, porém, acham pequenas as chances de a vacina ter desencadeado a doença. "Não há registro de casos semelhantes na literatura", disse a coordenadora da Divisão de Doenças por Transmissão Respiratória, Neuma Hidalgo.
No ano passado, o surto foi provocado por um microorganismo chamado ecovirus, que atinge, principalmente, crianças. Os técnicos acreditam que o novo surto pode Ter sido desencadeado pelo mesmo vírus, já que 75% dos pacientes são crianças com menos de 14 anos.
A DIR não adotará nenhum esquema especial para conter a doença na região. A principal recomendação, é para que a população fique atenta aos primeiros sintomas, como febre, dor de cabeça, falta de apetite e vômitos. Segundo Ramos, a meningite viral é menos perigosa que a bacteriana. "Não há vacina e o tratamento consiste em repouso e medicação para combater os sintomas", explica. Em média, o paciente recupera-se em dez dias.
A suspeita de que o surto possa estar relacionado à vacina surgiu em razão da morte da Kate Cristina Ramos, de 22 anos, ocorrida em 27 de fevereiro, em Americana (SP). Exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz comprovaram que a maorte ocorreu em decorrência da vacina. Segundo os técnicos, porém, trata-se de um caso raro, que ainda está sendo estudado pela medicina. A campanha de vacinação contra a febre amarela imunizou dois milhões de moradores em 42 municípios da região de Campinas.


