Meninas são agenciadas por telefone; programa custa R$ 55,00
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
Reportagem Local 
Londrina- Adolescentes de 14 a 17 anos estão sendo contratadas por telefone para fazer programas em Londrina por um preço que varia entre R$ 55,00 e R$ 70,00. O contato é feito por telefone e a responsável pelo agenciamento fica com 40% do valor combinado. A reportagem da FOLHA DE LONDRINA, passando-se por cliente, conseguiu marcar um programa com uma criança de 14 anos para flagrar o crime.
O telefone da cafetina, que identifica-se como Dessa, foi obtido durante bate-papo na internet. A reportagem ligou de um telefone público e, depois de três tentativas, a suposta cafetina atendeu o celular e não apresentou empecilhos para o agendamento do programa.
Segundo ela, os atendimentos são feitos em móteis ou locais indicados pelos clientes. Três garotas - de 14, 16 e 17 anos - estariam disponíveis para os programas. Na tarde da ligação, a jovem de 17, descrita como ''branca e encorpada'' e a de 14, ''morena e magrinha'', poderiam atender o ''cliente.'' O combinado foi que o repórter apanharia a mais nova em apenas 15 minutos. ''É só pegar ela aqui e pagar para ela. Pode ser em qualquer horário'', garantiu a mulher.
Não houve dificuldade para ''negociar'' o preço do programa. O valor estabelecido pela cafetina era de R$ 70,00 - dividido da seguinte forma: R$ 50,00 para a menina e R$ 20,00 para a agenciadora. Ao ser questionada se era possível ''fazer mais barato'', a mulher disse que o preço final era de R$ 55,00, repartidos na propoção de R$ 40,00 para R$ 15,00.
O local acordado fica na Zona Leste de Londrina. A cafetina indicou uma esquina como ponto de referência e informou que ela e a jovem poderiam ser reconhecidas pelas roupas. Enquanto a agenciadora vestiria blusa colorida e shorts verde, a criança estaria de calça e blusa pretas.
Cerca de 15 minutos após a ligação, o carro da reportagem seguiu para o local combinado para confirmar se as duas cumpririam o acordo. Além de uma grávida com as roupas descritas, uma jovem morena vestida de preto, uma criança e outra mulher com um carrinho de bebê aguardavam na esquina. Aparentando impaciência, a suposta cafetina usava um telefone público. Para não despertar suspeitas, o grupo foi fotografado à distância. Quando a equipe da FOLHA deixou a região, as três permaneciam no local.
O tenente Ricardo Eguedis, do setor de relações públicas do 5º Batalhão da Polícia Militar, garantiu que todas as denúncias de prostituição infantil que chegam à corporação são investigadas. ''A exploração da prostituição e o tráfico de drogas são crimes praticados por quem tem o mesmo perfil. Outros casos foram investigados esse ano e resultaram, inclusive, em prisões'', declarou.
De acordo com o delegado-ajunto da 10 Subdivisão Policial Nelson Águila, a prática da prostituição não é um ilícito penal. Porém, o favorecimento à prostituição tem pena prevista de dois a cinco anos de detenção. ''A situação será apurada. A Polícia Civil vai investigar e formalizar a remessa do caso para uma das varas criminais'', afirmou.


