Curitiba - Mais quatro adolescentes que teriam participado de ''festinhas'' com autoridades públicas e políticas em uma chácara do distrito de Morro Vermelho, no município de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, foram ouvidas ontem pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC), órgão vinculado do Ministério Público (MP), e Polícia Civil. Graças a esses depoimentos, promotores e policiais iniciaram ontem um processo de identificação dos envolvidos. Os nomes são sendo mantidos sob sigilo. As adolescentes reconheceram um vereador, um magistrado e um policial civil em fotografias e fitas de vídeo. As meninas, entretanto, não precisaram qual a participação de cada um deles nas orgias.
As festinhas aconteciam, de acordo com o MP, todas as quintas-feiras e eram promovidas por comerciantes da região. As meninas eram pagas para fazer strip-tease, dançar e manter relações sexuais com os participantes das festas, em troca de dinheiro e comida. Ontem, algumas adolescentes foram encaminhadas para o Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba para fazer exames de conjunção carnal. De acordo com o delegado titular do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), Marcus Michelotto, os exames são uma ''rotina das investigações policiais que envolvem atos sexuais''.
O promotor Marcelo Balzer, que recebeu as denúncias há quase um mês, não quis adiantar os nomes dos supostos envolvidos no crime. Ele afirmou que ainda não existem provas concretas da participação de qualquer autoridade da região. Ontem, ele encaminhou cópias dos autos da investigação do MP para o Tribunal de Justiça (TJ). O desembargador Oto Sponholz, presidente do TJ, solicitou os autos por causa da notícia na imprensa de que um juiz estaria envolvido no escândalo. Caso se configure crime por parte de magistrado, as investigações serão realizadas pelo TJ e não mais pela Polícia Civil.
Ontem, moradores de Campo Largo criaram o ''Movimento Piedade Campo Largo''. A intenção do grupo é acompanhar as investigações do MP e da polícia. Eles estiveram na Câmara Municipal exigindo que o assunto fosse tratado com seriedade. Os vereadores já têm autorização para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o caso. Aguardam a nomeação dos integrantes da CPI. ''Queremos que todos os fatos sejam amplamente investigados e que os culpados pelo abuso de adolescentes sejam punidos exemplarmente'', cobrou Jaires Caldart, idealizador do movimento.

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