Meninas de Porecatu confirmam abuso à polícia
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quinta-feira, 17 de março de 2005
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Porecatu Arrependimento, vergonha, medo. É assim que duas adolescentes de 13 anos, que moram em Porecatu (85 km ao norte de Londrina), resumiram ontem à tarde o ritual a que teriam sido submetidas no último dia 2, em um rancho localizado na Zona Rural do município de 15 mil habitantes. Em entrevista à Folha, ambas confirmaram a denúncia feita pelo Conselho Tutelar que originou o inquérito da Polícia Civil que investiga corrupção de menores, crime condenado pelo Código Penal Brasileiro em seu artigo 218, com possibilidade de abuso sexual.
As duas meninas pertencem a famílias de classe média baixa, são primas e estudam na sétima série em escola pública. De acordo com o delegado que preside as investigações, Aparecido Antonio Gregório, pelos depoimentos prestados até ontem, elas teriam sido as únicas submetidas a exames de corpo de delito e de conjunção carnal e ato libidinoso no Instituto Médico Legal (IML) de Londrina. Conforme a denúncia feita à Polícia Civil, pelo menos sete adolescentes, duas delas maiores de 18 anos, teriam participado de uma festa na propriedade rural da qual são sócios homens de alta influência na sociedade porecatuense. Na ocasião, algumas teriam se envolvido sexualmente com alguns deles e com outros que estavam no local como convidados de um suposto churrasco.
As primas contaram ontem à tarde que chegaram ao rancho por volta das 20h30, no último dia 2 (uma quarta-feira), levadas em veículo Fiat Uno azul por um comerciante da cidade. O relato posterior corrobora a hipótese do delegado de que existe a possibilidade de que elas tenham sido embriagadas, o que configura o crime de corrupção de menores.
Segundo uma das meninas, o comerciante teria levado sete garotas e oferecido bebida a elas assim que chegaram ao rancho. ''Ele nos oferecia cerveja e pinga com refrigerante, depois a gente ia dançar''. Segundo uma das meninas, esse rapaz a teria tirado do banheiro e levado para o quarto. ''Ele entrou, trancou a porta, guardou a chave e segurou meus braços'', disse. A menor afirma ter sido forçada a manter relação sexual com ele. ''Eu gritei por socorro, mas nesse momento um amigo dele aumentou o volume do som'', complementou.
De acordo com a menina, além do comerciante estava ainda no local, assim que as colegas chegaram, um vereador da cidade, um policial civil, um funcionário público da Prefeitura e dois funcionários de empresas ligadas ao Governo do Estado. Pelos depoimentos prestados ao delegado, o vereador e o policial teriam deixado o rancho assim que as adolescentes chegaram. Mesmo assim, ele adiantou que o andamento do inquérito pode trazer sanções administrativas ao policial.
Em local diferente, a outra menor confirmou o depoimento dado pela prima, mas disse que conseguiu fugir antes que um dos suspeitos dono de uma padaria em Porecatu a violentasse. ''Ele baixou as calças dele e as minhas, mas escapei antes de qualquer coisa'', contou. Ela disse ter bebido ''uns 10 copos de cerveja'', oferecidos pelo comerciante.
Conforme as garotas, ele ainda as teria deixado perto de casa, por volta da meia noite e meia. O inquérito corre sob segredo de Justiça, e as duas meninas estão sob tratamento psicológico.


