Meninas convivem com a dor da separação
Curitiba - Não existem, no Paraná, outras unidades exclusivas para pessoas do sexo feminino. Assim, independentemente da cidade de origem, as autoras de atos infracionais são levadas a instituições provisórias e, caso a opção do juiz seja mesmo pela internação, logo são transferidas ao Cense das Mercês. A situação acaba impondo às garotas do interior uma "pena" adicional. Conforme a diretora, apenas 10% das adolescentes são naturais de municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). As demais têm de aprender a conviver com a saudade e a dor da separação.
Para contornar esse problema, o governo do Estado financia a visita de um familiar por mês. "Algumas famílias conseguem vir de 15 em 15 dias. Mas há também casos de adolescentes que não recebem ninguém; a mãe é doente, o pai ausente e a avó, que cuida, não tem condições". A visita íntima para adolescentes em uniões estáveis, prevista pelo Sinase, também não é assegurada. O diretor-adjunto do Departamento Estadual de Atendimento Socioeducativo, Márcio Augusto Schimidt de Alencar, disse que uma equipe especializada, formada por membros do poder público e por entidades da sociedade civil, vem estudando a melhor maneira de garantir esse direito.
Apesar dos percalços, Célia e Alencar garantem que o sistema socioeducativo é sim muito mais eficaz que o de adultos. Tanto que, na Joana Miguel Richa, o índice de reincidência tem sido estimado em 10%. Para se ter uma ideia, nas demais instituições de internação de adolescentes a média é de 20%, enquanto nas cadeias de adultos chega a ultrapassar 70%. "Quando você trabalha na área, não pensa duas vezes em dizer que é desfavorável à redução (da maioridade penal). Qualquer adolescente, do Paraná pelo menos, tem atendimento individualizado. Já na penitenciária não existe educador; existe carcereiro", opinou a diretora. (M.F.R.)





