Menina torna-se heroína depois de sobreviver 13 dias na selva
Caracas, 26 (AE-ANSA) - A odisséia de uma menina de 11 anos que passou 13 dias perdida na selva amazônica com outras duas pessoas que sobreviveram à queda de um avião em 12 de outubro foi amplamente noticiada hoje (26) por jornais da Venezuela, que destacaram a coragem da pequena Noris.
"Noris Villareal lutou não apenas por sua vida..., mas também para salvar Carlos Artega, o primeiro dos sobreviventes encontrados por equipes de resgate, que no hospital só pedia que fosse achada sua salvadora", escreveu o diário El Universal.
Artega, que teve que ter uma perna amputada, relatou às equipes de resgate que a menina, de ascendência indígena, cuidou dele o tempo todo e que lhe dava água que pegava num rio próximo do lugar onde caiu o avião.
Noris está no sexto ano do primeiro grau e contou a seu pai que sobreviveu durante duas semanas comendo ervas e tomando água de rio, além do pão e enlatados que havia comprado antes do vôo.
A menina, mesmo ferida, decidiu buscar ajuda e ontem, depois de 13 dias, foi localizada com o jovem Ismael Ramírez, 19 anos, a pouco menos de dois quilômetros de onde estava os restos do avião acidentado. Ambos são descendentes da etnia yekuana.
Ao longo de sua penosa travessia, Noris foi deixando rastros, latas e galhos que permitiram que as equipes de resgate, formadas por indígenas da região, familiares, militares e membros da Defesa Civil, a encontrassem.
A menina se encontra em boas condições, apenas com fratura em um braço e escoriações menores.
O diretor nacional da Defesa Civil, Angel Rangel, destacou que "a fé em serem encontrados e a vontade de viver" foi o que manteve os jovens vivos.
Rangel disse hoje à imprensa que dias antes do resgate as operações de busca eram basicamente terrestres, mas que a busca aérea prosseguiu "para que o ruído dos helicópteros mostrasse a eles que os buscávamos e lhes desse esperança".
A zona onde caiu o avião é de floresta fechada, com árvores de 60 a 80 metros de altura.
O ministro da Defesa, Raúl Salazar, havia dito numa oportunidade que parecia que "a selva os engoliu".
O avião caiu sobre as grandes árvores da floresta amazônica venezuelana, no sul do país, em 12 de outubro com oito pessoas a bordo. Três já foram encontrados com vida e acredita-se que possa haver um quarto sobrevivente.
Noris, Carlos e Ismael estão sendo atendidos num hospital de Caracas, enquanto as autoridades e grupos de resgate mantêm em busca de uma mulher, Rocío Montoya.





