Brasília, 08 (AE) - Uma criança de 5 anos morreu em Goiânia oito dias depois de tomar a vacina para prevenir a febre amarela . O diretor do Centro Nacional de Epidemiologia (Cenepi) da Fundação Nacional de Saúde, Jarbas Barbosa, descartou que a morte tenha sido causada por falhas na vacina. "Não há a menor possibilidade disso."
Para Barbosa, a criança acabou desenvolvendo a doença depois de tomar a vacina em virtude da imunodeficiência causada por doenças ou outro fator genético. Ele afirma que a criança não morreu de febre amarela urbana mas em razão de uma reação adversa após a aplicação da vacina. A febre amarela urbana está erracadida no Brasil desde 1942.
Barbosa disse que que a criança - uma menina - apresentava, antes de ser vacinada, um quadro de imunodeficência causado por miningite. A Funasa investiga ainda outras características genéticas como causadoras da morte. Para Barbosa
o que ocorreu em Goiânia foi uma "reação inusitada", sendo o primeiro caso do tipo documentado no mundo. "Fizemos os testes e a vacina não apresentou qualquer problema", assegurou Barbosa.
A investigação laboratorial sobre a qualidade da vacina foi feita pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Rio de Janeiro, que isolou o vírus da febre da criança morta e fez, sem seguida, o sequenciamento genético do vírus da vacina. Nesse trabalho, segundo Barbosa, constatou-se que a vacina utilizada há 50 anos no Brasil continua segura. Ele também explicou que o Ministério da Saúde informou que no ano passado foram usadas 12 milhões de doses da vacina e não se registrou nenhuma anormalidade.
Segundo o diretor da Cenepi, a vacina induz a formação de anticorpos, mas a produção não chega ser suficiente para causar a doença. "Nesse caso de Goiânia, o que aconteceu foi um fato inusitado em termos mundiais."A vacina é aplicada nas regiões Norte e Centro-Oeste, parte do Sudeste e em áreas onde há ocorrência do mosquio Aedes aegypti, transmissor da doença. Pelas normas do Ministério, a vacina pode ser ministrada em crianças a partir dos 6 meses de vida em regiões endêmicas, como a Amazônia.

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