Roma, 31 (AE-AP) - A Itália acompanha comovida a saga de uma menina de 12 anos, filha de um casamento quebrado entre uma cristã e um muçulmano que pediu refúgio na embaixada italiana no Kuwait para não viver com o pai egípcio. Para tentar solucionar o caso, Roma despachou um de seus altos diplomatas para o Kuwait.
A menina, identificada apenas pelo primeiro nome de Erica, foi à embaixada italiana em 16 de janeiro, e prometeu não partir até que recebesse o direito de viver com a mãe italiana. Ela estava vivendo com o pai - que recebeu a custódia sobre a filha de um tribunal kuwaitiano - desde que seus pais se divorciaram no ano passado.
Desde que a história veio à tona, os jornais italianos têm saído repletos de editoriais que advertem sobre a dificuldade de matrimônios entre pessoas de religiões diferentes. "É um caso de duas cidadanias e dois estilos de vida; dois pais que representam duas culturas e duas religiões diferentes", escreveu o La Repubblica.
Os jornais italianos descreveram o pai, Abdul, como advogado rico e muçulmano devoto de 52 anos.
Stefania, a mãe de 32 anos, falou a vários jornais e acusou seu ex-marido de impor um código muçulmano extremamente rígido de comportamento sobre suas filhas.
Semana passada, a avó italiana de Erica escreveu uma carta ao primeiro-ministro Massimo DAlema solicitando "um fim ao nosso pesadelo".
Franco Danieli, subsecretário da chancelaria italiana, viajou ao Kuwait no fim de semana para tentar solucionar o assunto. "É um caso muito difícil por causa do conflito entre as leis da Itália, do Kuwait e do Egito", disse ele antes de partir. O diplomata afirmou esperar alcançar uma solução fora dos tribunais e evitar um longo processo litigioso.
Stefania se converteu ao islamismo depois de se casar com Abdul, em 1985. O casal se mudou para o Kuwait logo após o casamento. O juiz de divórcio concedeu custódia à Stefania da filha mais jovem do casal, de 9 anos.

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