Curitiba- Um ano e oito meses após ter viajado à Itália, com autorização para ficar apenas três meses, Vainame de Jesus, de 13 anos, poderá retornar ao Brasil. ''Por parte da Itália já está liberada para a repatriação'', disse a promotora da Infância e Adolescência de Cascavel, no oeste do Paraná, Luciana Linero. Os pais da menina moram naquela cidade. Segundo a promotora, em audiência com o cônsul brasileiro em Roma, Vainame disse que queria voltar.
''A conversa foi meio difícil, porque ela disse que não entendia mais o português e falou em italiano'', afirmou Linero. ''E, mesmo assim, respondeu em monossílabos. Foi bem reticente. Só respondia o que se perguntava.'' A passagem de volta deve ser paga pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, mas o retorno pode ficar somente para o próximo ano, em razão da tramitação no pedido da passagem e na dificuldade para encontrar lugar em razão das festas de fim de ano.
O Ministério Público e a Justiça de Cascavel começaram a investigar o desaparecimento de Vainame há dois meses, quando a história ficou conhecida em Cascavel, por causa da reclamação dos pais da menina, Manoel e Maria de Farias. As autoridades foram procuradas pelo padre italiano Francesco Ape, da Paróquia São Pedro. Ele contou que, em março de 2003, a adolescente viajou à Itália, com o consentimento dos pais e autorização da Justiça, em companhia do casal Antonio e Ana Dinoi, amigos do religioso. Ele alega que serviu apenas de intérprete entre as duas famílias.
Segundo o padre, depois de chegar a Taranto, a família italiana procurou o serviço de sa© úde para se informar sobre um seguro para estrangeiro. Foi quando a Justiça recolheu a menina, encaminhando-a para um abrigo e, posteriormente, para a família com a qual permanece até agora. Linero pediu à Polícia Civil a designação de um delegado para apurar denúncias de que os pais teriam vendido a criança ao casal italiano e que o padre poderia ter sido um intermediário no negócio. Todos negam a acusação.

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