Menina fica presa em cadeia para homens
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sábado, 09 de fevereiro de 2008
Matheus Pichonelli<BR>Folhapress 
São Paulo - Uma menina de 14 anos passou 12 dias presa em uma cela com outras três mulheres na Cadeia Pública de Planaltina de Goiás (GO), que abriga 110 homens e que tem capacidade para apenas 49 detentos. Em frente à cela onde estava, havia outra cela com cerca de 40 homens, separados apenas por um corredor de três metros entre as grades.
A adolescente foi detida no dia 28 de janeiro, após uma tentativa frustrada de assalto a uma farmácia junto com o namorado, que fugiu.
Ontem, três funcionários da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, órgão ligado à Presidência da República, foram até Planaltina apurar a situação, relatada em reportagem publicada anteontem pelo jornal ''Correio Braziliense''.
Após uma audiência realizada no fórum da cidade, ficou decidido que ela deverá dormir na casa de uma tia e que deverá aguardar uma decisão judicial em liberdade.
De acordo com Fábio Silvestre, assessor da secretaria que viajou até o local, Conselho Tutelar, Justiça e Promotoria sabiam da situação da menina.
Ela não foi liberada porque, segundo relato ouvido pelos funcionários, familiares da adolescente disseram não ter ''interesse'' em ficar com ela.
Como na cidade não há abrigos para adolescentes, ela permaneceu detida em uma cela com outras mulheres _o que contraria o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).
De acordo com Silvestre, a adolescente relatou não ter sofrido abusos durante o período.
Um agente prisional da cadeia, identificado como Antonio, afirmou à Folha de S.Paulo que ela, em 12 dias, não teve contato com presos homens, pois, segundo ele, a menina se alimentava na cela e o banho de sol ocorria em horários diferentes.
O conselheiro tutelar Valdimir Aquino Neto afirmou que, como o município não tem estrutura para abrigar jovens infratores, a detenção da menina foi a única alternativa. ''Eu acompanhei o caso e ela parecia bem. Pelo menos ela não ficou junto com outros homens.''
A Folha telefonou para o governo de Goiás e foi informada de que a única pessoa que falaria a respeito da situação era o superintendente de Segurança Prisional da Secretaria da Justiça, major Anésio Barbosa da Cruz Jr. Ninguém atendeu ao telefone em seu gabinete. Também ninguém foi localizado nos ministérios Público e da Justiça para comentar o caso.


