Menina espera 4 horas para receber soro
Curitiba Teoricamente, todos os municípios do Paraná estão preparados para atender acidentes com animais peçonhentos. Mas na prática, nem tudo funciona como deveria ser. Que o diga a família da jovem Edilaine, 14 anos, moradora da zona rural de Agudos do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
A menina foi picada na perna por uma jararaca quando pegava lenha, no quintal de casa. O acidente aconteceu por volta das 13 horas do dia 26 de outubro. Edilaine só foi receber o soro antiofídico às 17 horas, em Curitiba. O pai da garota, Raumil Pereira da Rocha, primeiro levou a filha para o posto de saúde de Agudos do Sul, onde foi orientado a buscar atendimento no Hospital Municipal de Mandirituba. A família não encontrou socorro naquele município e resolveu seguir direto para Curitiba.
Edilaine ficou internada dois dias no Hospital do Trabalhador e na tarde do dia 28 de outubro passou por uma consulta com a médica supervisora do Centro de Controle de Envenenamento do Hospital de Clínicas (HC), Marlene Entres. Apesar da boa recuperação da garota, a especialista se mostrou preocupada com a demora de quatro horas na aplicação do soro. ''O tratamento mais precoce é importante para neutralizar o veneno circulante antes que ele se fixe no receptor'', explica Marlene Entres.
No Hospital Municipal de Mandirituba, a enfermeira responsável, irmã Lídia Gogola, desconhecia o motivo de Edilaine não ter recebido o soro antiofídico. ''Não sei dizer o que aconteceu. Nós temos o soro antiofídico disponível'', explicou. Ela garante que o hospital atende sem restrições as pessoas que não moram em Mandirituba.
De janeiro a outubro deste ano, no Paraná, foram registradas duas mortes por picadas de cobra. Os óbitos, segundo Marlene Entres, acontecem ou porque a vítima demorou para procurar o serviço de saúde, ou porque houve retardo no atendimento. ''Paciente picado por cobra não pode ficar esperando atendimento em fila'', afirma. Também pode acontecer a administração de uma dose insuficiente de soro antiofídico.
A desinformação do profissional de saúde é um aspecto que preocupa Marlene Entres. Segundo a médica, o tema envenenamento não faz parte do curso regular de medicina de muitas faculdades. ''Ele (médico) tem que procurar ser autodidata e complementar seu estudo'', comenta. Ela cita duas instituições do Paraná que incluíram, há alguns anos, o tema em seu currículo: a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Quem socorre os médicos no atendimento às vítimas de animais peçonhentos ou qualquer outro caso de envenenamento é o Centro de Controle de Envenenamentos, que funciona em Curitiba, Londrina e Maringá, 24 horas por dia, sem interrupção. ''Pelo telefone, o médico vai receber todas as informações'', explica Marlene. (A.D.C.)
SERVIÇO:
O Centro de Controle de Envenenamentos funciona em Curitiba pelo fone 0800 410148; Londrina (43) 3371-2244; Maringá (44) 225-8484.





