Menina de 2 anos é a segunda vítima de leishmaniose em Araçatuba
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de julho de 1999
Por Antônio José do Carmo, especial para a AE 
Araçatuba, SP, 21 (AE) - Graziele Luíza dos Santos Gomes
de dois anos, morreu hoje, em Araçatuba, a 550 quilômetros da capital, com leishmaniose. A menina é a segunda vítima da doença na cidade. A leishmaniose é transmitida do cão para o homem através de um mosquito que prolifera no lixo. As autoridades sanitárias do município afirmam que sete cães com leishmaniose foram sacrificados na rua onde a menina morava, mas pelo menos um animal doente foi escondido pelo dono para não ser morto pelos agentes de saúde.
A mãe da criança, Gilmara Pereira dos Santos, afirma que os médicos só chegaram ao diagnóstico correto quase um mês após Graziela apresentar os primeiros sintomas. Gilmara contou hoje à imprensa que levou a filha com febre, vômito e dores no corpo para ser atendida no Posto de Saúde do bairro Jardim Pinheiro. Segundo ela, a pediatra que a atendeu teria receitado remédios para gripe. Como a menina não melhorou, disse, ela procurou o hospital onde foram feitos exames de sangue e constatada contaminação. O resultado positivo veio sábado, uma semana após a garota ter sido internada.
De acordo com médico pediatra Oswaldo Rodrigues da Fonseca Filho, a leishmaniose é desconhecida porque nunca foi registrada no Estado de São Paulo. Para ele, a doença se confunde com a leucemia e tem evolução muito rápida nas crianças. Segundo o pediatra, antes de criticarem os médicos que atenderam a menina há um mês, o importante seria cobrar do governo medidas que de fato eliminassem os cães contaminados e o mosquito vetor. "A partir de agora, mortes por leishmaniose serão comuns por aqui", afirmou.
O primeiro caso de leishmaniose em cão foi diagnosticado há 13 meses em Araçatuba. Até agora, o inventário da população canina contaminada não chegou a 30% dos animais, enquanto os programas de extermínio esbarram na falta de colaboração dos proprietários. Quatro pessoas foram contaminadas este ano, duas morreram. A primeira morte ocorreu no início de abril.


