Menem vem ao Brasil se despedir de FHC
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terça-feira, 14 de setembro de 1999
Por Liliana Lavoratti 
Brasília, 15 (AE) - O presidente da Argentina, Carlos Menem, virá ao Brasil em 14 e 15 de outubro para se despedir do colega brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, e das principais autoridades do Legislativo e Judiciário - os presidentes do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso, de acordo com programação acertada há poucos dias pelas áreas diplomáticas dos dois países.
A última visita ocorrerá dez dias antes das eleições presidenciais na Argentina, cujas pesquisas apontam como favorito como sucessor de Menem o candidato da oposição, Fernando de La Rua, da União Cívica Radical, em aliança com a Frente País Solidário. O encontro entre os dois presidentes também vai ocorrer sem que estejam solucionadas várias pendências comerciais bilaterais, acirradas nos últimos meses, depois que o governo argentino impôs limites às importações de produtos brasileiros com potencial de gerar até US$ 80 milhões de prejuízos neste ano somente ao setor calçadista.
O encontro entre os dois chefes de Estado deveria ter ocorrido no fim de julho, quando o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Luiz Felipe Lampreia, declarou que a vinda de Menem não era "oportuna". Na ocasião, o governo reagiu com veemência a duas medidas baixadas pela Argentina para limitar a entrada de produtos brasileiros, especialmente calçados.
Diante do clima tenso, Menem veio a Brasília, mas para negociar com as autoridades brasileiras a suspensão temporária dos limites postos às exportações brasileiras. Com isso, a visita de despedida foi adiada para outubro.
Durante os dois dias que permanecerá em Brasília, Menem visitará os presidentes da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e do Congresso, durante o primeiro dia da visita, 14 de outubro. À noite, FHC oferecerá um jantar no Itamaraty, em homenagem ao colega argentino. A agenda prevê para 15 de outubro uma palestra de Menem durante aula magna no Instituto Rio Branco (de formação de diplomatas brasileiros) e uma visita ao presidente do STF. Ainda pela manhã, está programado um encontro com o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB). Ao meio-dia, Menem encerrará a visita de despedida, oferecendo um almoço a FHC na residência do embaixador argentino no Brasil.
A intensidade das relações entre o Brasil e a Argentina durante os dez anos em que Menem permaneceu no governo motivou a visita de despedida. Esse período foi marcado não apenas pela união das duas principais economias da região em prol do Mercado Comum do Cone Sul (Mercosul), mas por sucessivos estremecimentos causados por mudanças de política macroeconômica e as consequências nas relações comerciais. O auge da tensão foi em janeiro, quando o Brasil desvalorizou o real, gerando no lado argentino o temor da invasão de produtos brasileiros.
Desde que foi eleito para o primeiro mandato, em meados de 1989, Menem participou dos principais momentos de implementação do Mercosul, que têm nas economias brasileira e argentina os principais sustentáculos. Os outros dois parceiros comerciais no bloco são o Uruguai e o Paraguai.
O Tratado de Assunção, o principal marco do Mercosul, foi assinado em março por Menem e o então presidente Fernando Collor de Mello, apesar de o prorcesso de integração na região ter sido iniciado poucos anos antes, nos governos dos ex-presidentes José Sarney (PMDB), no Brasil, e Raúl Alfonsin, na Argentina. Em 1994, em Ouro Preto (MG), outro momento importante para o Mercosul também foi presenciado por Menem e pelo então presidente Itamar Franco (PMDB), hoje governador de Minas Gerais.
Enquanto o modelo anterior era implementar uma zona de livre comércio no prazo de dez anos entre Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, Menem e Collor definiram um caminho mais ambicioso para a região - um mercado comum para funcionar em cinco anos.


