Menem terá discurso de ratificação do Mercosul
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 11 (AE) - "Devemos agir com prudência, porque conseguimos muito com a construção do Mercosul, e não podemos nos arriscar a jogar tudo pela janela por causa de medidas apressadas". Desta forma, o ministro da Economia da Argentina, Roque Fernández, referia-se à reunião de cúpula dos presidentes Fernando Henrique Cardoso e Carlos Menem, na qual será avaliado o impacto da crise econômica no Mercosul.
A reunião será realizada amanhã (12), em Campos do Jordão, e, segundo o Secretário de Planejamento Estratégico da Argentina, Jorge Castro, "será para ratificar de forma clara o caráter prioritário que o Mercosul possui para a Argentina". Castro disse à AGÒNCIA ESTADO que o que essa ratificação possui de especial "é que será feita no momento da crise". Segundo o Secretário, "a crise nos fortalece".
Apesar da aparente disposição do governo argentino em ir a Campos do Jordão com um discurso light, e de medidas de consenso, o empresariado está pressionando para que sejam aplicadas medidas protecionistas.
"Reação histérica" foi a expressão usada por Fernández para definir o comportamento do empresariado argentino diante dos efeitos da crise brasileira na indústria local, que alertam constantemente sobre uma invasão de produtos provenientes do Brasil. Fernández sustenta que "a situação não é tão grave como dizem", e que "talvez houve um aumento nas importações de chocolates, mas são setores que não têm repercussão sobre o comércio geral". A compra de chocolate brasileiro cresceu 700% no mês de janeiro, dado que foi suficiente para provocar pânico no empresariado local.
Fernández criticou os empresários, afirmando que a posição argentina não poderá ser dura com o Brasil, já que "isso poderia causar que o Brasil fechasse as portas, o que poderia ser muito mais grave". A posição do governo argentino foi reforçada pelo secretário de Relações Econômicas Internacionais, Jorge Campbell, que declarou à imprensa que "não haverá cotas nem serão aplicadas medidas de salvaguardas para restringir as importações provenientes do Brasil".
Para paliar a difícil situação de diversos pequenos e médios empresários argentinos, o Banco de La Nación anunciou um programa de refinanciamento das empresas que têm dívidas por causa de créditos com o banco. Calcula-se que as dívidas atinjam US$ 500 milhões, e que 30 mil empresas seriam beneficiadas com o programa. Desde o começo da crise brasileira, as vendas das pequenas e médias argentinas caíram 30%.


