Buenos Aires, 04 (AE) - O presidente argentino, Carlos Menem, conseguiu dar mais um passo na direção de disputar sua segunda reeleição: Ricardo Bustos Fierro, juiz federal da província de Córdoba, anunciou uma resolução pela qual Menem poderia considerar- se apto para apresentar-se como pré-candidato à convenção do Partido Justicialista (também conhecido por "peronista").
A resolução do juiz está sendo interpretada também como o primeiro parecer favorável à possibilidade de o presidente disputar uma segunda reeleição.
Menem foi eleito pela primeira vez em 1989 e reeleito em 1995. No entanto, a nova Constituição,de 1994, proíbe que possa disputar uma segunda reeleição.
O anúncio do juiz está alterando drasticamente o panorama político argentino, que seria completamente transformado com a entrada de Menem na corrida presidencial.
A via judicial seria uma forma de driblar a Carta Magna e, assim, poder candidatar-se a mais um mandato presidencial, o que o tornaria o presidente que teria estado mais tempo ininterruptamente no poder, ultrapassando o próprio fundador de seu partido, o general Juan Domingo Perón.
O juiz agora passará a averiguar se os constituintes de 1994 "excederam-se" ao proibir uma segunda reeleição de Menem. Mas a decisão final pertence à Corte Suprema.
Os assessores de Menem consideram que a possibilidade de o presidente ser pré-candidato à convenção seria o suficiente para mobilizar os indecisos do partido de forma a pressionar a Corte Suprema de Justiça para que dê um parecer que permita o presidente ser candidato nas eleições presidenciais de outubro.
Menem não poderia reformar a Carta Magna através do Congresso, onde não tem maioria desde 1997. Sem poder agir por meios parlamentares, o presidente tentaria conseguir a permissão para ser candidato através da Corte Suprema, onde mais da metade dos magistrados foram nomeados por ele próprio.
Além disso, em diversas ocasiões os juízes expressaram sua simpatia ao presidente. Os cálculos dos assessores de Menem é que o presidente contaria com os votos favoráveis de seis juízes, e a oposição de três.
Outro dado favorável que comenta-se nos corredores da Casa Rosada são os resultados de uma pesquisa que indicam que a duvidosa legalidade da operação política de Menem não preocupa 60% dos argentinos.
Além disso, os assessores presidenciais afirmam que neste incerto ano de profunda crise econômica, a população preferiria a continuidade de Menem no governo. É o que indica uma pesquisa de utilização interna também elaborada pela Casa Rosada, onde 43% dos entrevistados sustentam que o atual presidente poderia conduzir o país melhor no meio da crise do que o candidato da oposição, Fernando De La Rúa.
A possibilidade de Menem disputar a presidência do país o colocaria em rota de colisão direta com o governador da província de Buenos Aires, Eduardo Duhalde. O governador é candidato à sucessão de Menem e não está disposto a aceitar que o presidente também seja candidato.
O peronismo, pela primeira vez desde sua fundação, há meio século, poderia rachar. Duhalde declarou que poderá concorrer à presidência, paralelamente ao partido. Analistas especulam que ele poderia formar uma aliança com o ex-ministro da Economia Domingo Cavallo, que possui o apoio do establishment, ao contrário de Duhalde, encarado como um "peronista à moda antiga", assistencialista e populista.
No entanto, há poucos dias, Menem e Duhalde concordaram em realizar uma trégua, que ainda mantinha-se hoje, quando Menem reuniu-se com todos os governadores peronistas do país. Na reunião decidiram que a convenção do partido será no dia 9 de maio.

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