Buenos Aires, 25 (AE) - Nunca antes nesta década a Argentina apresentou níveis tão alarmantes de pobreza e desemprego. Apesar disso, o presidente Carlos Menem ordenou ao ministro da Economia, Roque Fernández, que comece as negociações para que a Argentina obtenha um "título de graduação" por parte do Banco Mundial e da Unicef. Este título consiste em uma espécie de certificado de que o país estaria praticamente integrado ao Primeiro Mundo.
O argumento utilizado pelo ministério é que o país já fez as reformas estruturais tanto de primeira como de segunda geração. Além disso, a Argentina contaria com um PIB elevado. Na visão do presidente argentino, seu país já seria "desenvolvido". Por esse motivo, não haveria mais motivos para que o país continuasse recebendo ajuda do Banco Mundial e da Unicef.
No entanto, o desejo de obter um "diploma de Primeiro Mundo" pode custar caro: o corte de ajudas terá grande impacto, já que nos últimos cinco anos o país recebeu US$ 7 bilhões em créditos internacionais para o combate do desemprego e da pobreza. No momento, existem no país 44 programas de financiamento, que vão desde planos de nutrição para crianças, ajuda àáreas inundadas e a luta contra a Aids.
O governo argentino se baseia em um documento do Banco Mundial enviado pelo seu presidente, James Wolfersohn, para solicitar a "graduação": consiste em um ranking de 152 países subdesenvolvidos aos quais o Banco ajuda. Na lista, a Argentina está em segundo lugar na renda per capita, com US$ 8.979, só perdendo para a Eslovênia. Apesar da colocação, 36% dos argentinos vive com uma renda inferior a US$ 1.680 anuais. Calcula-se que existam 13 milhões no país.
A jogada por trás desta procura desesperada de um status diferenciado ao de seus vizinhos sul-americanos é que, embora o Estado central não solicitaria mais ajudas ao exterior, elas continuariam sendo solicitadas pelos governos provinciais. O trabalho para conseguir a graduação já começou através de diplomatas argentinos na ONU, e implicaria que se for conseguida, em breve os delegados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e da Unicef se retirariam de Buenos Aires.

mockup