Menem rebate críticas de Chico Lopes
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quarta-feira, 27 de janeiro de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 27 (AE) - O presidente da Argentina, Carlos Menem, respondeu irritado às críticas feitas pelo presidente interino do Banco Central do Brasil, Francisco Lopes, ao projeto de dolarização que propôs ao país. "Gostaria que os brasileiros solucionassem seus problema internos - que são graves - antes de criticar um projeto que é deste governo e tenta colocar-nos a salvo desta crise", disse.
As críticas expressadas por Menem às declarações de Francisco Lopes ocorreram durante uma reunião com o ministro da Economia, Roque Fernández, o presidente do BC argentino, Pedro Pou, e o presidente da Bolsa de Comércio de Buenos Aires, Eugenio de Bary.
Menem foi informado por seus assessores que Lopes disse que a dolarização "politicamente, é um desastre". Além disso, Menem foi avisado que o presidente do BC brasileiro havia declarado que veria com "muita tristeza a dolarização total da Argentina, transformada em uma espécie de Panamá".
Menem propôs há duas semanas que a economia argentina fosse dolarizada, o que causaria a eliminação do peso, a moeda nacional.
Dessa forma, o Banco Central argentino deixaria de existir, e a moeda circulante estaria sob o controle do Federal Reserve, o banco central dos EUA. A proposta de Menem não se restringia unicamente para seu país: o presidente a sugeria para todos os países da região, como forma de dar um passo adiante no processo de integração sob a égide da Associação de Livre Comércio das Américas (Alca).
As críticas à dolarização não vêm somente do exterior: o ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, sustentou que apresentar essa proposta, neste momento "é uma loucura". Um dos líderes da oposição, o ex-presidente Raúl Alfonsín, definiu a dolarização como "rídicula".
Para conseguir a dolarização do país, Menem precisa a aprovação do Congresso dos EUA, mas também a do Congresso argentino, onde não possui maioria e onde seu próprio partido está dividido.
Menem afirmou que a resposta para os problemas do Brasil está na reestruturação da dívida no modelo do Plano Bonex, adotado pela Argentina em 89. Um plano como o Bonex iria eliminar a "asfixiante" dívida de curto prazo do Brasil, responsável pelo déficit fiscal galopante que está espantando os investidores, afirmou Menem em entrevista ao jornal argentino La Nación. "A dívida doméstica está incorrendo em um aumento significativo das taxas de juro e acho que um plano similar ao Bonex seria uma resposta interessante para a crise", disse Menem. Sob o Plano Bonex, o governo argentino converteu aproximadamente US$ 3,5 bilhões em depósitos de prazo fixo em bônus de dez anos denominados em dólares.
O presidente argentino reiterou que a Argentina terá poucos problemas com o impacto do real mais fraco em relação ao dólar. "Sentiremos os tremores, mas vamor suportar a crise com sucesso e com crescimento econômico de 3% em 99."


