Buenos Aires, 05 (AE) - O peso como moeda única do Mercosul: esta foi a proposta feita pelo presidente Carlos Menem durante a reunião anual da Associação dos Bancos da Argentina (ABA), o principal encontro de banqueiros do país, e que será a última reunião da qual participará como presidente, já que deixa o poder em dezembro. Menem disse que para moeda única regional o peso seria melhor que o real, já que a moeda argentina "é igual ao dólar". De acordo com o presidente argentino, "a estabilidade que soube conseguir para a Argentina poderia ser passada para os outros países do Mercosul, Bolívia e Chile". Menem, um peronista que abjurou do passado estatizante de seu partido, disse que "o capitalismo não é palavrão" e despediu-se prometendo que estará de volta na presidência no ano 2003.
A despedida de Menem coincide com uma avaliação dos dez anos de seu governo, que se cumprem nesta quinta-feira dia 8. Um dos temas mais polêmicos de sua gestão, e que será debatido pela ABA
é a dívida externa argentina. Atualmente em US$ 140,5 bilhões, a Dívida é 145% superior à mesma quando Menem tomou posse. Este volume é equivalente a 42% do PIB. Do total da dívida, US$ 100 bilhões pertencem ao setor público e o resto ao setor privado.
A Dívida Externa é uma preocupação para os banqueiros argentinos, já que o próximo governo terá que deparar-se com um gasto de US$ 86,5 bilhões de compromissos em dívidas e juros que vencem entre o ano 2000 e o 2003. No entanto, essa quantia poderá ser maior, já que está calculada segundo as atuais taxas de juros. No momento, o Estado argentino usa 11,9% do orçamento nacional. Este ano, a Argentina terá pago US$ 8,2 bilhões para os juros da dívida, valor equivalente ao orçamento conjunto da saúde, educação e de um terço dos aposentados do país.
Os banqueiros temem que as recentes ameaças dos candidatos presidenciais em relação dívida se cumpram: tanto Eduardo Duhalde, inimigo político de Menem, mas candidato do partido do governo, como Fernando De La Rúa, candidato da oposição, declararam recentemente que a dívida precisa ser revisada. Isso causou preocupação entre os integrantes da ABA, receosos que estas declarações afugentem os investidores estrangeiros do país.
No entanto, hoje, na reunião da ABA, Duhalde afirmou que "não seria sensato não pagar. Mas teríamos que pedir aos países poderosos do mundo que em vez de utilizar o dinheiro para seus subsídios, que o usem para ajudar-nos. Não somos culpados de nossa atual crise. Somos vítimas da desvalorização do real".

mockup