Menem quer continuar liderando
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domingo, 24 de outubro de 1999
Por Ariel Palacios, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Buenos Aires, 25 (AE) - Na madrugada desta segunda-feira, quando ainda a Aliança comemorava sua vitória, e Duhalde chorava sua derrota, centenas de paredes na cidade de Buenos Aires apareceram cobertas por cartazes com a foto do presidente Menem e os dizeres "Cuide-o, Menem 2003, o país o necessita". Esse é o primeiro sinal de que a aposentadoria política não está nos planos de "El Turco", como é popularmente conhecido.
Menem fez de conta que a derrota do peronismo não era com ele
tentou desvincular-se da pior performance eleitoral presidencial da história do peronismo telefonando a De La Rúa dez minutos antes do encerramento das urnas, para parabenizá-lo. O presidente também anunciou que pretende receber De La Rúa na residência oficial de Olivos para acertar os passos da transição política.
Menem também afirmou que o peronismo venceu nas maioria das províncias do país, uma indireta a Duhalde, culpando ao governador de Buenos Aires que é sozinho o responsável pela derrota na eleição nacional.
No entanto, somente nos próximos meses ficará definido até onde esta histórica derrota também atinge o atual presidente, já que 60% da população optou por outros partidos que não são o peronista, indicando uma forte vontade de mudança em relação à década de governo Menem.
Também terá que ser levada em conta a reação de Duhalde, que poderá não querer suportar solitariamente o peso da derrota, e que poderia começar a culpar Menem de seu fracasso.
O "think tank" Rosendo Fraga disse à Agência Estado que o peronismo nunca teve uma derrota "tão prevista" além de "tão esperada pelos próprios líderes peronistas". Fraga considera que Menem terá importância no peronismo, "já que é o presidente do Partido até o 2003, e ninguém lhe discutirá a liderança sempre que ele não continuar precipitando a campanha pela presidência para o ano 2003". Se ele insistir, verá sua liderança contestada por outros que também desejam chegar à Casa Rosada, como os governadores peronistas Carlos Reutemann, José de la Sota e o recém-eleito Carlos Ruckauf.


