Buenos Aires, 09 (AE-ANSA) - O presidente da Argentina, Carlos Menem, suspendeu hoje (09) uma reunião que teria com seu colega paraguaio, Luis González Macchi. Ele exigiu também pedidos oficiais de desculpas de Assunção pelas críticas feitas a Buenos Aires por conta do asilo político do ex-general golpista Lino César Oviedo.
"Enquanto não ocorra uma retificação por parte do governo paraguaio, será impossível reunir-se", disse Menem. Ele disse ainda que por enquanto Oviedo continua na Argentina.
O mandatário argentino disse que não se referia às graves acusações feitas ao seu governo por deputados paraguaios, mas sim as críticas de funcionários do governo. O ministro da Defesa do Paraguai, Nelson Argaña, um dos filhos do vice-presidente Luis Argaña, assassinado em 23 de março passado, chamou Menem de "sem vergonha" por se negar a extraditar o ex-militar. "Não estou defendendo minha pessoa mas aquele a quem o povo da Argentina deu, por meio da democracia, a cadeira presidencial".
O presidente Menem pretendia se encontrar com o presidente do Paraguai, Luis González Macchi, para discutir a crise entre os dois países. Ele informou que Oviedo permanecerá em Buenos Aires e não será transferido para a Patagônia, como se pretendia no começo. Agora surgem rumores de que Oviedo deixaria a Argentina com destino à Venezuela ou Alemanha. Otimista, Menem disse que, embora as relações entre os dois países estejam tensas, na semana que vem tudo se resolverá com os embaixadores voltando a ocupar seus postos. Atualmente, os embaixadores dos países envolvidos estão em seus respectivos países para consultas.
Menem aproveitou para pedir à Aliança, de oposição, que o criticou por não extraditar Oviedo, que imitasse a oposição uruguaia. É que diante das críticas de Assunção a Montevidéu, os esquerdistas se uniram para defender o atual presidente do Uruguai, Julio María Sanguinetti. Montevidéu também se negou a extraditar o ex-general e ex-ministro da Defesa, José Segovia Boltes. Ao lado de Oviedo, Boltes também é acusado de autor intelectual do assassinato de Argaña. Pesa sobre ele também acusações de malversação de fundos.

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