Buenos Aires, 16 (AE) - O presidente Carlos Menem lançou nesta terça-feira (16) um inesperado desafio: afirmou que aceita a realização de um plebiscito que decida se a Constituição argentina deverá ser modificada ou não para que possa ser candidato à sua segunda reeleição.
O desafio estava diretamente endereçado à coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso, mas também foi enviado ao governador da província de Buenos Aires, Eduardo Duhalde, seu inimigo interno do próprio partido do governo, o Justicialista (também conhecido como "peronista"). Duhalde é pré-candidato do peronismo à presidência do país, e é o principal obstáculo de Menem para o controle absoluto do partido.
"Se o plebiscito for vinculante, e eu vencer, terei que ser candidato", disse Menem, o que foi interpretado como um sinal de que o anúncio oficial de que será candidato poderá ocorrer nos próximos dias.
"El Turco", como é popularmente denominado, afirmou que a oposição tem medo e não vai querer fazer um plebiscito que vincule o resultado à uma modificação da Constituição. Com ironia, o presidente disse que agradecia à oposição pela proposta de plebiscito, sobre o qual afirmou que vencerá "amplamente".
Menem manteve-se ambíguo durante seu discurso: em alguns momentos falou no plebiscito, no qual desafiava a oposição e onde já profetizava que seria o vencedor. No entanto, em outros momentos Menem disse que estaria ao lado de quem fosse o candidato do partido peronista, como se não existisse uma movimentação em seu favor dentro do partido. O presidente também afirmou que se o fundador de seu partido, o presidente e general Juan Domingo Perón estivesse vivo, "estaria orgulhoso de mim". Menem disse que de certa forma, é "o delfim de Perón".
No fim de semana, a Aliança UCR-Frepaso havia proposto a realização de plebiscitos limitados às províncias onde controla os governos, como forma de definir a seu favor a controvertida segunda reeleição de Menem, ou a "re-reeleição", como é chamada na Argentina. Imediatamente, o governador Duhalde propôs que a consulta popular fosse ampliada a todo o país, projeto que é rejeitado pela Aliança. A proposta de Duhalde pretende afastar a coalizão de oposição de seu lado, e confrontar-se diretamente com Menem. Desta forma, o duelo de âmbito partidário seria ampliado ao nível nacional. Para os duhaldistas, há mais chances de vencer Menem em um plebiscito do que dentro da convenção interna do partido, lugar onde o presidente controla a máquina partidária e tem a facilidade de oferecer cargos e verbas adicionais às diversas regiões do país. A convenção está marcada para o dia 9 de março, mas o plebiscito poderia ser uma semana antes. Duhalde aceitou o desafio de Menem de realizar o plebiscito vinculante, e disse que o realizará em sua província.
Nesta segunda-feira, o círculo interno de assessores de Menem começou a contra-ofensiva, aceitando o plebiscito, mas propondo que seja vinculante: ou seja, que o plebiscito não seja puramente de consulta, mas que implemente uma modificação na lei. Neste caso, se a população votar a favor da possibilidade de reeleição do presidente, a Constituição seria modificada.
Menem foi eleito em 1989 e reeleito em 1995. No entanto, a Constituição proíbe que ele possa ser candidato à uma segunda reeleição. Para modificá-la, existiriam três vias: uma reforma no Parlamento, onde não possui maioria; uma modificação através da Corte Suprema, e um plebiscito. Nestas duas últimas hipóteses, o resultado é incerto, mas Menem aposta em seu carisma e no que ainda resta de seu poder de influências.

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