Menem defende asilo a paraguaios
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domingo, 06 de junho de 1999
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 07 (AE) - O presidente da Argentina, Carlos Menem, mostrou-se hoje menos efusivo do que o costume durante a coletiva ao lado do colega Fernando Henrique Cardoso. Comenta-se que o presidente argentino está deprimido pela proximidade de término de mandato. Menem, que está no segundo mandato, deixa o cargo em dezembro.
Em seu discurso, lembrou ser o mais antigo presidente dos países do Mercosul ainda no poder. O presidente argentino também recordou que outro colega dos países-sócios também está de malas prontas para deixar as presidência: Julio Sanguinetti, do Uruguai. E também citou Eduardo Frei, do Chile, país associado. Além disso, recordou a recente renovação na presidência paraguaia. Simbolicamente, Menem "passou o bastão" da liderança espiritual do bloco comercial do Cone Sul ao segundo mais velho no poder, no caso Fernando Henrique.
O presidente argentino também cometeu algumas gafes: trocou a data da criação do Mercosul de 1991 para 1989, comentou o conflito comercial dos remédios, que já foi solucionado, confundiu o Uruguai com o Paraguai e também errou a data da Cimeira do Rio de Janeiro. Mas foi veloz ao retrucar as críticas pela presença do ex-general golpista Lino Oviedo na Argentina, país que lhe deu asilo político. Menem afirmou que os tratados internacionais, como os que contemplam o asilo, possuem prevalência sobre a própria Constituição argentina. Segundo ele, se o Paraguai solicitar a extradição de Oviedo, "com a documentação correspondente", a questão será analisada pelo governo argentino. Segundo Menem, "a Argentina dará asilo a qualquer pessoa que o pedir".
FHC também comentou o tema, e disse que o Paraguai não reclamou do asilo concedido ao ex-presidente Raúl Cubas Grau. "O direito do asilo é sagrado no Brasil", e ilustrou com seu próprio exemplo que pretende defender esse direito: "Eu mesmo fui um asilado".
Menem também afirmou que não há possibilidades de que os países do Mercosul se desviem do caminho democrático e, referindo-se às mudanças de governo que estão por ocorrer em toda a região nos próximos meses, disse: "É a presença constante da democracia o que fortalece o Mercosul."


