Buenos Aires, 25 (AE) - "Não quero entrar nos detalhes de quem é culpado pela derrota". Esta frase, pronunciada de forma irônica foi o início de uma série de indiretas lançadas pelo presidentes Carlos Menem contra Eduardo Duhalde. Em uma coletiva de imprensa no fim do dia de hoje para realizar um balanço das eleições, Menem disse que no início da campanha, Duhalde lhe pediu "todos os poderes do peronismo para fazer as alianças necessárias. Não lhe coloquei nenhum obstáculo".
Menem lamentou que Duhalde não lhe permitiu participar dos principais comícios: "mas isso não me magoa, afinal, sou um homem que não se importa com essas atitudes pequenas, eu olho para cima. Eu coloquei a Argentina entre as principais potências da Terra".
O presidente também especulou que o resultado de domingo poderia ter sido diferente: "não sou snob, mas se eu tivesse sido candidato, teria vencido facilmente. Mas a Constituição me impedia de ser candidato".
Menem aproveitou para parabenizar De La Rúa: "seu triunfo é indiscutível, lhe desejo o maior dos sucessos".
No entanto, Menem discordou das declarações de De la Rúa de que o Mercosul precisava ser "relançado": "isso não é necessário. O Mercosul está bem, e a única coisa que precisa é criar mais instituições".
Segundo ele, "FHC está aí como garantia que o Mercosul vai funcionar".
Sobre os cartazes que apareceram cobrindo centenas de paredes na manhã seguinte à eleição com os dizeres "Menem 2003", o presidente afirmou que "não são de minha autoria". No entanto, Menem disse que está disposto a concorrer, mas que também existem "outros candidatos capazes".
O vice-presidente Carlos Ruckauf, recém-eleito governador da província de Buenos Aires, definiu o futuro dos dois principais líderes políticos da década, explicando que ambos não se afastarão da arena política: "ninguém acredita que Raúl Alfonsín ficará pescando na lagoa de Chascomús, nem que Menem ficará impassível observando o pôr-do-sol em Anillaco (o vilarejo onde nasceu)".

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