Menem cria polêmica em conferência
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de novembro de 1998
Deustche Presse Agentur e France Presse 
O presidente argentino Carlos Menem anunciou ontem que seu país se comprometerá a reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa, em discurso na 4ª Conferência sobre Mudanças Climáticas, que se realiza em Buenos Aires. O anúncio criou uma forte polêmica na conferência, já que a Argentina seria o primeiro país em desenvolvimento disposto a cumprir os compromissos de redução de emissões desses gases que causam o superaquecimento da Terra, estabelecidos apenas para as nações industrializadas, no Protocolo de Kyoto.
O presidente argentino voltou a reavivar o debate sobre o tema dos compromissos voluntários dos países emergentes que já havia sido eliminado da agenda da conferência, por falta de consenso. As organizações ambientalistas Greenpeace e Fundo Mundial para a Natureza (WWF) saudaram o anúncio de Menem.
Por outra parte, o republicano norte-americano Jesse Helms, presidente da Comissão das Relações Exteriores do Senado, advertiu em carta à Secretária de Estado Madeleine Albright que os Estados Unidos não devem firmar o Protocolo de Kioto; e que se o presidente Bill Clinton decidir fazê-lo, o Senado o rejeitará.
A carta de Helms foi distribuída ontem por seus assessores, mas é datada de 3 de novembro, antes do início da conferência de Buenos Aires. O senador afirma que o protocolo apresenta tantos problemas que não há absolutamente nenhuma justificativa para que os Estados Unidos o assinem. Expressa, no entanto, o temor de que Clinton possa decidir assiná-lo, e nesse caso pede a Albright que recomende ao presidente submetê-lo rapidamente ao Senado.
O Senado já aprovou por 95 votos a zero, em julho de 1997, uma resolução com a advertência de que rejeitaria o protocolo de Kioto se este eximisse os países em desenvolvimento de compromissos em matéria de redução de emissões de gás carbônico. O protocolo, com efeito, não fixa reduções obrigatórias para países como Brasil, México, China, Índia ou Coréia.


