Buenos Aires, 07 (AE) - "Se em 24 horas não houver um acordo com os caminhoneiros haverá estado de sítio por decreto". Com estas palavras, o presidente Carlos Menem anunciou que enviará nesta quinta-feira o projeto de lei ao Congresso para instaurar o estado de sítio no país. A causa da medida é a paralisação realizada pelas empresas de transporte caminhoneiro desde a madrugada de segunda-feira. As empresas protestam contra novos impostos e ameaçam manter a paralisação por tempo indeteminado.
Com a aplicação do estado de sítio, o governo alega que pretende garantir o abastecimento da população, a liberdade de trabalho e a livre circulação de pessoas. O presidente Menem já ordenou colocar unidades da Gendarmería, a polícia especial de fronteiras e de controles de distúrbios, em diversos pontos do país. Em 10 anos de governo, Menem nunca aplicou o estado de sítio. Segundo a Constituição, esta situação só pode ser aplicada em caso de invasão externa ou de forte perturbação interna. O estado de sítio pode ser aplicado em todo o país, ou em áreas geográficas específicas, e por tempo limitado.
Se o desabastecimento continuar, o presidente argentino também prevê a utilização de caminhões e aviões das forças armadas para o transporte de alimentos e combustíveis.
Exatamente no dia que comemora uma década de governo, Menem poderá tomar a dura medida para evitar o desabastecimento da capital argentina e sua área metropolitana, onde se concentra metade da população do país. Já começou a escassez de frutas, legumes, frango e carne. A escassez de combustível também atingiu os portenhos nesta quarta-feira: de cada dez postos de gasolina, oito estavam com seus depósitos completamente vazios.
O motivo desta crise é imposto do Fundo Docente: há poucas semanas o Congresso decidiu obter os fundos necessários para poder pagar um aumento aos professores públicos taxando os veículos de todo o país com um imposto de 1% para aqueles cujos preços forem de US$ 4 mil a US$ 20 mil; e de 1,5% para os que tiverem valores superiores a US$ 20 mil. Mas as empresas de transporte de cargas sejam apenas a ponta do iceberg da rebeldia popular em relação a esse imposto: 53% dos donos de veículos no país ainda não o pagaram.
Além da paralisação de atividades, as empresas estão bloqueando 40% das principais estradas do país com 250 mil caminhões, causando uma redução de 50% no tráfego de veículos no sistema rodoviário argentino.
As empresas de transporte caminhoneiro não possuem o apoio do poderoso sindicato dos caminhoneiros, que preferiu ficar fora deste confronto direto com o governo. A greve atingiu 80% do total das empresas de transporte.
No fim do dia de hoje, o Congresso começou a analisar a redução do imposto de 1% para 0,3%, como forma de barganha para que os empresários do transporte suspendessem os protestos e a paralisação. No entanto, não havia consenso nos manifestantes sobre a aceitação dessa redução.

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