Menem acusa oposição de querer desvalorização da moeda
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segunda-feira, 28 de junho de 1999
Por Ariel Palacios 
Buenos Aires, 29 (AE) - "Bricando com fogo" foi o título que o jornal "Página 12" colocou para anunciar a nova tática do presidente Carlos Menem para atacar a coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso. Durante a Cimeira do Rio, o presidente argentino afirmou que se a Aliança vencer as eleições, "voltará a receita fácil da desvalorização". As declarações de Menem foram mal-recebidas em Buenos Aires, onde foram encaradas como uma atitude irresponsável.
O motivo das declarações realizadas no Hotel Sheraton do Rio de Janeiro, segundo vários analistas é que, no fim de seu governo, sem ter conseguido fazer um sucessor obediente, Menem tenta obter algo de protagonismo político de forma desesperada.
"Irresponsável e perigoso", rebateu imediatamente o candidato da Aliança à presidência do país, Fernando De La Rúa, que criticou Menem por "afirmações que podem causar incertezas". De La Rúa, confirmou que a Aliança manterá a paridade dólar-peso e que não vai desvalorizar, se for eleito. "Não existe esse risco", complementou o economista da Aliança, Arnaldo Bocco, que disse que há um acordo entre economistas e empresários de que o peso não será tocado.
Para o consultor Enrique Zuleta Puceiro, o temor dos investidores à uma eventual desvalorização pode favorecer Eduardo Duhalde, candidato do partido do governo, o partido Justicialista (também conhecido por "peronista"), que está tentando uma aliança com o ex-ministro da Economia Domingo Cavallo, pai da paridade dólar-peso. Cavallo é visto como o único que pode tanto manter a paridade, como sair dela, sem turbulências.
"Mexendo em um vespeiro" foi o comentário mais ouvido entre os analistas financeiros, que temem que as declarações de Menem coloquem em risco o dinheiro obtido com as vendas das ações da YPF. São US$ 13,5 bilhões, os quais se esperam que sejam reinvestidos no país, e não levados ao exterior.
Além da desvalorização, Menem também utilizou o cenário da Cimeira para criticar Duhalde e De La Rúa pelas recentes declarações de ambos sobre a revisão da dívida externa. Duhalde sustentou que a dívida de US$ 130 bilhões deveria ser perdoada. De La Rúa afirmou que a dívida teria que ser "considerada politicamente". No entanto, pouco depois, o candidato da Aliança fez uma retratação light, ao dizer que apesar do volume implicado, a dívida teria ser cumprida.
Por sua vez, o candidato peronista tentou livrar-se das críticas que choveram sobre ele de diversos setores econômicos, argumentando que até o papa é a favor do perdão à dívida.
No Rio de Janeiro, Menem disse que a dívida externa hoje é equivalente a 30% do PIB, e que antes de chegar ao poder a proporção era de 70%. Mas esqueceu de dizer que no governo anterior o total da dívida chegou a US$ 60 bilhões, enquanto que sob sua administração, e apesar de ter obtido US$ 30 bilhões com as privtaizações, a dívida externa argentina atingiu US$ 130 bilhões.


