Buenos Aires, 15 (AE-ANSA) - O presidente Carlos Menem aceitou hoje (15) o desafio da facção rival do peronismo de pedir uma consulta popular na Argentina sobre sua pretensão de recandidatar- se. A Constituição atual proíbe três mandatos.
"Se o presidente ganhar, a Constituição deve ser reformulada para permitir que ele se candidate", disse o ministro do Interior, Carlos Corach.
A proposta da consulta ao povo foi feita pelo adversário de Menem dentro do peronismo, o atual governador de Buenos Aires, Carlos Corach.
Segundo as últimas pesquisas, três de cada quatro consultados são contrários a que Menem seja autorizado a se candidatar.
Na quarta-feira passada, a oposição e os duhaldistas (partidários do governador) conseguiram reunir quase dois terços dos deputados para aprovar um projeto em defesa da Constituição.
Trata-se, segundo analistas, de uma aliança inédita que pode também ser conseguida para pedir um julgamento político do presidente.
Em julho de 1996, uma ameaça de plebiscito na província de Buenos Aires freou uma primeira tentativa de reeleição de Menem. A Aliança, formada pela UCR e Frepaso, também prepara consultas populares nos distritos que controla, incluindo a capital, governada por Fernando De La Rúa, pré-candidato presidencial da coalisão.
De La Rúa reiterou hoje que a Aliança condena uma consulta nacional porque se tentaria também embutir no projeto uma reforma constitucional. "Isso é inadmissível", disse.
De La Rúa pediu a Menem "um pouco de patriotismo para acabar com essa aventura".
O ministro Corach acha que na consulta tem que vir embutida a possibilidade de reformar a Constituição para que o presidente possa competir nas eleições marcadas para outubro.
Menem, por sua vez, desmentiu hoje que tenha mantido uma reunião secreta com o juiz Julio Nazareno, presidente da Suprema Corte de Justiça. Sem reforma na Carta Magna, a única via que resta para Menem é uma interpretação que a Corte venha a fazer da Constituição, reformada em 94. Recentemente um juiz de Córdoba deu parecer favorável a Menem para participar das primárias do Partido Justicialista (PJ), marcadas para 2 de maio.
O braço-direito de Menem, o secretário-geral da Presidência, Alberto Kohan, disse hoje que o presidente está esperando a proposta de consulta popular com seriedade. Para Cohan, "uma proposta neste sentido deveria ser nacional e vinculante. Seria então preciso preparar um cronograma e, se o povo dissesse sim a Menem, seria necessário uma assembléia constituinte para reformar a Carta Magna".

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