Belo Horizonte, 6 (AE) - O ex-secretário executivo da Câmara de Comércio Exterior, José Roberto Mendonça de Barros, defende que os produtores vendam a produção de grãos no início da colheita, evitando segurar esta venda na espera de futuras alterações nos preços das commodities. "Ninguém deve segurar a produção, é hora dos produtores buscarem capitalizar para o plantio da nova safra", argumenta.
Para o economista, o cenário de preços não deve se alterar neste segundo semestre e os produtores não devem apostar em novas alterações bruscas no câmbio. Mendonça de Barros acredita que os produtores devem buscar a capitalização para evitar problemas de liquidez no início do plantio da safra 1999/2000, já que os créditos para o setor tendem a ser mais reduzidos.
O economista, que esteve participando hoje do 2º Fórum de Economia promovido pela BrasilPrev, do Banco do Brasil, acredita que a mudança promovida na política cambial favoreceu, na média, a atividade agrícola brasileira. Ele questionou as visões pessimistas promovidas, entre outros, pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA). "Não concordo com a visão queixosa defendida pela CNA", disse.
De acordo com ele, o PIB agropecuário brasileiro este ano deve registrar um crescimento de 4,6%, contra crescimento de 0,4% registrado em 1998. Para o PIB do país, o economista aposta que haverá uma retração de 1,8%. Em termos de índices inflacionários, Mendonça de Barros aposta que o IPC-Fipe, em São Paulo, deve fechar o ano em 8,2%, e o IGP-M com 13,1%. O INPC deve fechar o ano com uma variação de 9,4%.
Para o câmbio, a perspectiva do economista é de que ao final do exercício a valorização do dólar fique em torno de 40 6%, o que levaria a uma relação de R$ 1,70 por dólar. Em termos de juros, Mendonça de Barros acredita que a taxa Selic deve fechar o ano em 26%, considerando que a taxa de dezembro deve ficar em 17%, se anualizada.
Balança - Ele aposta que o saldo comercial do setor agropecuário deve fechar este ano em cerca de R$ 11,2 bilhões, sendo que as exportações sofrerão uma pequena queda de 2,4% em relação ao apurado em 1998.
Para o economista, esta retração se deve basicamente pelo problema de preços no mercado internacional. "Apesar do aumento na produtividade temos uma pressão nos preços internacionais", disse.
Mendonça de Barros diz que a tendência é de que, num cenário positivo, os preços das commodities internacionais "parem de cair." O Saldo comercial será maior porque, apesar da queda na receita das exportações, haverá também uma retração nas importações, segundo o economista.
Calabi - O presidente do Banco do Brasil, Andrea Calabi, que também participou do encontro, aposta num cenário semelhante ao apresentado por Mendonça de Barros. Ele acredita que o PIB brasileiro sofra uma retração de 2%, enquanto que o PIB do setor agropecuário registrará um crescimento de 2,7%.
Em termos de juros, Calabi defende que os juros reais devem ficar próximos a 13%, no acumulado do ano. A Selic nominal deve ficar em 27,4%, enquanto a Selic real fechará o ano em 13 89%, deflacionando o índice pelo IGP-M. A projeção da variação do IGP-M deve ficar e 11,53%, enquanto o INPC fechará o ano com uma variação de 6,64%.
Calabi disse ainda que a balança comercial deve reverter o déficit apurado no ano passado - de cerca de US$ 6 bilhões - para um superávit de US$ 6 bilhões. "É uma recuperação de cerca de US$ 12 bilhões durante este ano", avaliou.

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