Belo Horizonte, 23 (AE) - O ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros contestou a ação por improbridade administrativa ajuizada hoje pelo Ministério Público Federal. "Essa ação tem um absurdo, me acusam de improbidade num ato que nem aconteceu", disse. Ele ressaltou ser direito constitucional do MPF mover a ação, mas deixou claro que está tranquilo sobre sua defesa. "Não há nada de errado."
Mendonça de Barros esteve hoje em Belo Horizonte como ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDS), atendendo à intimação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembléia Legislativa de Minas que investiga a venda de ações da Cemig, a companhia energética do Estado. Em seu depoimento, ressaltou a responsabilidade do administrador público para evitar a cartelização e obter o maior valor nos leilões de privatização.
"Contra isso é que foi a nossa ação", defendeu-se. "Estou sendo acusado de improbidade administrativa porque tentava evitar a cartelização." Ele argumentou que faltam instrumentos para o administrador público evitar que duas empresas se unam num mesmo consórcio com o objetivo de baixar o valor do leilão - o que do ponto de vista da iniciativa privada é legal e ético.
Segundo o ex-ministro, foi isso que ocorreu no caso das teles: dois grupos começaram estudaram a possibilidade de se fundir num único consórcio e arrematar o lote por um preço mais baixo. "Por sorte, nos dois lados tinha participação do governo
o Banco do Brasil e o Previr", relatou. "Não fazia sentido essa ação envolvendo duas empresas públicas." Mendonça de Barros frisou que tomou a decisão de deixar o governo porque sabia que não teria condição de ampla defesa se continuasse no Ministério. "As fitas começaram a partir de interesses escusos privados", afirmou. "Achei que devia sair do governo e me defender."

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