Três meses após o índio pataxó hã-hã-hãe Galdino de Jesus dos Santos ter sido morto por adolescentes em Brasília (DF), o mendigo Jorge Paulo seu corpo queimado, na madrugada de ontem, na esquina das Ruas 13 de maio e Evaristo da Veiga, no Centro, a 200 metros do quartel-general da Polícia Militar, no Rio. Internado às 3h55 no Hospital Souza Aguiar, com queimaduras de primeiro, segundo e terceiro graus, o morador de rua sofreu parada respiratória às 8 horas e tem poucas chances de sobrevivência.
Jorge Paulo foi socorrido por garçons do Bar Vermelhinho, na Cinelândia, e o mendigo Roberto Carlos dos Santos, que dormia na escadaria da Câmara dos Vereadores, perto de onde estava a vítima. ‘‘Vi ele correr queimado e cair no chão’’, disse Santos. ‘‘Ele não dizia nada, só gritava’’, contou o mendigo de 40 anos, que vive desde os 5 na Cinelândia.
A 1ª Delegacia de Polícia Civil, na Praça Mauá, abriu inquérito para apurar o caso. O delegado titular, Sérgio Aranha, disse que a hipótese mais provável é de que meninos de rua tenham ateado fogo no mendigo, jogando-lhe álcool. Segundo Aranha, este foi o ‘‘comentário que surgiu’’ nas primeiras investigações. ‘‘Se for mesmo um menino de rua, eles vão acabar espalhando a história’’, disse Aranha, para justificar a esperança de identificar os autores do ataque.
O ambulante Jorge Moreira, que trabalha próximo à esquina onde Paulo foi incendiado, disse que o mendigo costumava dormir em outro lugar, embaixo de uma marquise do prédio do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). ‘‘Ele foi dormir na esquina justamente hoje’’, lamentou Moreira. O ambulante confirmou que meninos de rua costumam ficar no local do crime, ‘‘cheirando cola’’, de madrugada. ‘‘Gente boa da cabeça não faz uma coisa dessas’’, opinou.
A diretora do Hospital Souza Aguiar, Maria Emília Amaral, informou que o morador de rua teve entre 65% e 70% do corpo queimado, e a parte frontal foi a mais atingida. ‘‘Isso indica que ele estava deitado’’, informou. Internado no Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do hospital, o mendigo ficou queimado dos joelhos para cima.
Segundo Maria Emília, além dos ferimentos, o fogo provocou distúrbios nos líquidos corporais da vítima e deve causar risco de infecção. A diretora do hospital admitiu que há poucas chances de sobrevivência. Este foi o quarto caso registrado este ano de mendigo incendiado no Rio.

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