Menchú pede para Espanha julgar ditadores guatemaltecos
Madri, 02 (AE-AP) - A vencedora do Prêmio Nobel da Paz Rigoberta Menchú pediu hoje (02) à Audiência Nacional espanhola a abertura de uma investigação sobre os ex-ditadores guatemaltecos e os altos oficiais da polícia em diversos casos de tortura, genocídios e terrorismo de Estado em seu país.
"Durante muitos anos temos sonhado com algo como isso", disse Menchú a jornalistas em Madri, sobre suas esperanças de que sejam julgados os responsáveis por desaparecimentos e assassinatos durante os 36 anos de guerra civil na Guatemala.
A Audiência Nacional ganhou fama internacional por ter acusado o ex-ditador chileno Augusto Pinochet, que está preso em Londres, e vários membros da ditadura militar argentina por crimes similares em seus respectivos países. Ambos casos são presididos pelo juiz Baltasar Garzón.
Segundo Manchú, tais acusações judiciais demonstram que a Audiência Nacional espanhola tem jurisdição sobre delitos cometidos em seu país. "Em algum rincão do mundo deve haver justiça", disse a líder indígena, ganhadora do Nobel da Paz de 1992.
A Comissão da Verdade, respaldada pela Organização das Nações Unidas, concluiu que cerca de 200 mil pessoas foram assassinadas ou desapareceram durante o conflito armado na Guatemala, que terminou em 1996. A comissão concluiu que o conflito configurou em um genocídio dirigido contra os índios maias.





