Menção a FHC gera bate-boca entre Suplicy e Arruda
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Por José Ramos e Adriana Fernandes 
Brasília, 06 (AE) - A insistência do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) em cobrar explicações do presidente Fernando Henrique Cardoso e do ministro da Fazenda, Pedro Malan, sobre o socorro aos bancos na véspera da desvalorização do real foi motivo de um bate-boca hoje na CPI do Sistema Financeiro com o presidente em exercício da comissão, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF). Suplicy manifestou mais uma vez sua incredulidade na afirmação de que, no período de mudança do regime cambial, o então presidente do Banco Central, Francisco Lopes, não tenha falado ao ministro da Fazenda e ao presidente da República sobre um suposto risco de crise sistêmica no mercado. Suplicy disse que, em relação a este assunto, observava "uma certa contrariedade" de Arruda. Irritado, Arruda respondeu que, toda vez em que se politiza uma investigação, vai se manifestar contrariamente.
Também irritado, Suplicy reagiu dizendo que "política é a vida" e que não acredi ta que Lopes tenha ido ao presidente para "falar de flores". E defendeu-se da acusação de estar "politizando" a investigação: "Isso não é politizar, isso é usar de inteligência dedutiva; eu quero saber das coisas, eu tenho o direito de saber". Ontem, Suplicy havia comentado que ouvira do presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), a informação de que o presidente Fernando Henrique estava preocupado com a insistência dele, Suplicy, em se referir a Malan durante as sessões da CPI e em defender a convocação do ministro para prestar depoimento.
Arruda disse que a CPI só poderá chegar a suas conclusões e ajudar na reestruturação do mercado, "se agir com seriedade, e não agir como palanque político de ninguém". O senador disse a Suplicy que o ministro da Fazenda já informou, dia 24 de março, em sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, que o ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes havia sido exonerado por razões técnicas. Lembrou ainda que, em depoimento à Polícia Federal, Lopes disse que achou dispensável informar o presidente sobre a operação com os dois bancos, embora tivesse almoçado com ele no mesmo dia. "O ministro da Fazenda e o presidente da República não foram informados, infelizmente", afirmou Arruda.


