A não ser que ''Buffo & Spallanzani'', último nacional exibido ontem à noite, tenha sido realmente impecável, vai ser difícil o júri do 29º Festival de Gramado não premiar ''Memórias Póstumas'', a interessante adaptação que o paulista André Klotzel fez de um dos maiores clássicos da literatura brasileira.

Transpor Machado de Assis é uma espécie de tabu entre os realizadores brasileiros, uma tentadora maldição que volta e meia desafia os cineastas. Mas Klotzel, o premiado diretor de ''Marvada Carne'' (10 Kikitos em Gramado-85) até que realizou um trabalho bem acima do esperado, embora sem nenhuma fulguração. Crédito maior, claro, para o brilhante texto de Machado, aqui e ali apenas arredondado pelo roteirista e escritor José Roberto Torero. E diversas outras virtudes, desde o elenco liderado por Reginaldo Faria até os figurinos, passando pelas eficientes fotografia e direção de arte. O filme tem estréia em circuito nacional a partir da próxima sexta-feira.

Prevista para as 22 horas de hoje, a cerimônia de premiação não reserva grandes surpresas. O 29º Festival de Gramado - Cinema Brasileiro e Latino - chega ao fim sem alterar o clima de neutralidade exibido desde o início. Aliás, o mesmo clima meteorológico durante toda a semana: nem sim, nem não. Entre as novidades oferecidas, a volta de um segmento de disputa exclusivamente verde-amarela não se justificou. Pelo menos não com os filmes aqui apresentados, medianos no conjunto. Já os latinos ficaram mais confortáveis. Dos quatro convidados, dois excelentes: o argentino ''Un Amor de Borges'', de Javier Torre, e o chileno ''Coronación'', de Silvio Caiozzi. E dois corretíssimos, ''Yoyes'', da espanhola Helena Taberna, e ''25 Watts'', incipiente mas simpático esforço uruguaio.

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