Eles foram chegando aos poucos, mais ou menos na mesma época em que iam chegando os primeiros desbravadores das terras onde hoje está assentada Londrina, aquela que é considerada a terceira maior cidade do sul do país. Quem chegava no Distrito Rural de São Luiz (Zona Leste), no início da década de 1950, podia se considerar um verdadeiro aventureiro. Tinha que ter coragem para encarar um território desconhecido, onde a mata fechada e os bichos eram os companheiros mais comuns dos dias inteiros passados nas lavouras de café. Foi assim, há 60 anos, que os primeiros moradores desse pequeno distrito, hoje com cerca de 1,8 mil habitantes, fincaram raízes neste pedaço de chão transformando-o em um patrimônio histórico de Londrina.
Felizes por morar numa região tão ''aconchegante'', como costumam dizer, muitos pioneiros de São Luiz nunca tiveram vontade de abandonar a terra que aprenderam a amar. Assim foi com a dona Iza Minguete, 81 anos, que chegou na região com 7 anos de idade, vinda do Norte Velho e nunca mais foi embora. ''Por aqui eu constituí minha família, criei meu filhos que nasceram todos com a ajuda de uma parteira'', recordou.
Contente em poder participar mais uma vez da 17 edição da Festa do Café com Frango, encerrada ontem, a pioneira contou que a cafeicultura até hoje faz parte da vida de sua família, nos momentos de reunião com amigos e também nas lembranças do tempo de infância. ''Eu ainda torro o café como antigamente. Acho muito mais gostoso e fresquinho. Acho que é isso que faz a gente manter essa vontade de estarmos sempre aqui, perto dos amigos e onde nossos pais resolveram vir pra ficar'', comemorou.
Esse ano, a tradicionalíssima festa homenageou pioneiros e realizou uma exposição com fotos e textos que contavam a história de São Luiz, estabelecido oficialmente como distrito rural de Londrina no dia 11 de junho de 1951. Uma maquete relembrando a terra roxa, as plantações de café e as primeiras habitações erguidas no início da ocupação da região, também foi preparada por estudantes da rede pública para ser apresentada aos quase 30 mil visitantes que passaram pelo evento.
Outra pioneira, dona Leondina Helena Sposito Rampazzo, 80, lembrou ainda dos utensílios utilizados na época e da dificuldade que todos tinham pela falta de energia elétrica e outras facilidades que hoje são disponibilizadas aos moradores do distrito. ''A gente tinha que esquentar a água numa bacia pra tomar banho em dias de frio. Por aqui era só café, a família inteira só fazia isso. Quando era pra brincar, só mesmo com as espigas de milho que fazíamos de boneca'', comentou.
Para Leondina, viver em São Luiz sempre foi sinônimo de alegria e por isso ela nunca teve vontade de abandonar seu canto. ''Cheguei aqui com 5 anos de idade e nunca mais quis sair. Não tenho vontade nenhuma e fico muito feliz quando vejo pessoas de fora vindo pra cá, mesmo quando é só pra festejar'', finalizou.

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