O projeto de 1975 foi encomendado ao arquiteto Luiz Cezar da Silva, mas só foi executado treze anos depois
O projeto de 1975 foi encomendado ao arquiteto Luiz Cezar da Silva, mas só foi executado treze anos depois | Foto: Marcos Zanutto



Há 30 anos, a FOLHA publicava o convite para o evento de inauguração do Anfiteatro Jonas Dias Martins, o anfiteatro do Zerão. Após quase um ano de construção - sofrendo desabamento quatro meses antes da finalização -, foi agendado para o dia 23 de dezembro de 1988 um espetáculo de inauguração, que enfrentou uma forte concorrência: a cena de assassinato de Odete Roitman, personagem da novela Vale Tudo, interpretada por Beatriz Segall. Com horário marcado após a novela, o evento daria início às atividades de um dos principais palcos de Londrina.

Mas antes do bloco de concreto levantar-se por entre a mata que protegia o córrego do Leme, o espaço abrigava o fundo de vale conhecido como Buraco do Azevedo. "Na altura onde tem hoje a Feira da Lua, havia uns barracos em que moravam umas três ou quatro famílias e, beirando a rua Olinda, tinha um buracão, uma espécie de piscina natural cheia de terra. Eu me lembro que o pessoal vinha correndo de lá de cima e caía naquele córrego. Uma vez um amigo pulou segurando uma melancia no peito e ela explodiu para todo lado", ri o ator e jornalista Apolo Theodoro, que morava próximo ao local.

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Aquele mato, espaço em que crianças e adolescentes brincavam, caçavam e passavam as tardes refrescando-se na piscina de aproximadamente oito metros de diâmetro, recebeu o projeto de urbanização para dar lugar aos mais diversos espetáculos e manifestações populares. "A piscina não existe mais, mas eu comemoro. Eu vi muita coisa lá depois. Ficou muito melhor, com várias opções de lazer e brincadeiras para todo mundo", afirma.

PALCO DE TODOS
O projeto de 1975 foi encomendado ao arquiteto Luiz Cezar da Silva, mas só foi executado treze anos depois. A obra levou quase um ano para ser concluída e sofreu desabamento em um domingo do dia 4 de setembro de 1988. O palco de aproximadamente 300 metros quadrados tem arquibancada com capacidade para seis mil pessoas e possui um anfiteatro menor, para 250 pessoas, no subsolo. Além desses elementos, há três camarins, banheiros e sanitários.

O anfiteatro recebeu muitos nomes da cultura, como Arrigo Barnabé, Hermeto Pascoal, Moraes Moreira em espetáculos gratuitos ao ar livre que lotavam arquibancada e gramado. Concertos, danças, teatro, circo, as artes passaram por lá fazendo deste patrimônio histórico um dos principais palcos dos festivais da cidade. Também foi espaço para manifestações políticas, como a parada LGBT de Londrina, e dos mais variados eventos e encontros.

ESTRUTURA
Nestes 30 anos, o local sofreu várias intervenções. A sustentação da cobertura, a mesma que desabou antes da inauguração, teve rachaduras e infiltrações, constatadas por comissão da prefeitura em 2006. Dois anos depois, o local foi reformado, recuperando toda a estrutura.

Em setembro do ano passado, a prefeitura iniciou reforma no local, mas não foi finalizada. "Tivemos que paralisar o serviço temporariamente até que fizessem ligações da parte hidráulica. Depois, vieram as chuvas e a mesma equipe teve que parar tudo para recolher árvores. Isso acabou prejudicando o andamento do nosso trabalho", explica o secretário municipal de Obras e Pavimentação, João Verçosa.

Embora o palco esteja aberto para receber espetáculos, boa parte da estrutura não está disponível. A porta de acesso ao subsolo foi lacrada e os eventos agendados utilizam apenas a área externa. O secretário reconhece que o local necessita de reparos. "Estamos retomando e assumimos o compromisso de dar continuidade a esse trabalho no início do ano que vem", afirma.

VALORIZAÇÃO
Londrina tem carinho pelo local. "O anfiteatro está localizado em uma das principais áreas de esportes e lazer da cidade, é ponto de encontro de muitos londrinenses", ressalta o secretário municipal de Cultura, Caio Julio Cesaro. Para ele, o anfiteatro se constituiu como espaço "das mais diversas manifestações culturais e palco de atividades dos principais festivais de Londrina."

No entanto, com o vandalismo, o anfiteatro acaba perdendo sua característica principal de congregar. Por isso, Verçosa acredita na participação da população para ocupar o local. "As pessoas têm o direito de conviver no espaço público e que seja agradável para não dar espaço para o vandalismo e depredação", defende.

Ocupar, participar, confraternizar, uma medida para que o local seja cada vez mais do londrinense e menos do abandono. Assim, quem sabe, as memórias dos grandes espetáculos, de uma Londrina da cultura, da manifestação, do esporte e do lazer sejam reativadas para que novas gerações continuem vivendo experiências memoráveis.

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