Memorando do FMI previa manutenção do câmbio, diz Cacciola
Brasília, 13 (AE) - Salvatore Cacciola disse à CPI que ele perdeu o banco na crise cambial, embora o Marka não tenha registrado prejuízo em nenhum exercício nos últimos dez anos. Ele informou à CPI os fundamentos que levaram o Marka a acreditar que não haveria desvalorização. Segundo Cacciola, a liquidez do câmbio era a base do plano real, a política foi "mais do que defendida na campanha eleitoral do presidente Fernando Henrique Cardoso" e esteve em cheque em setembro em razão da crise da Rússia quando teve oportunidade de ser testada e checada. Ele ressaltou ainda que o Marka sempre esteve vendido no mercado futuro de câmbio desde o segundo semestre de 94. Cacciola disse que, depois da crise da Rússia, o governo brasileiro se articulou e a equipe econômica negociou com o FMI. As negociações, segundo Cacciola, só se tornaram públicas em novembro de 98 e culminaram com a assinatura de um memorando de intenções do dia 8 de dezembro. Esse memorando se tornou público no dia 10 de dezembro e todos tiveram acesso, inclusive ele. Ele lembra que, no memorando, o governo brasileiro assume o compromisso de manter a política cambial, citando o parágrafo 8º
no qual o governo informa que a rigidez nas políticas monetária e cambial irão resultar em uma taxa de inflação de 2% em 99. Citou também o parágrafo 30, no qual o governo afirma estar inteiramente comprometido em manter a política cambial adotada até então. Ele informa ainda que as projeções do memorando mês a mês mostravam que a desvalorização em 99 seria inferior à de 98. Além do memorando, Cacciola citou também no depoimento relatórios da empresa de consultoria Tendências, do ex-ministro da FAzenda Maílson da Nóbrega e do cientista político Sérgio Abranches, ressalvando que não está transferindo nenhuma responsabilidade a essa consultoria, pois a decisão de apostar na manutenção da política cambial foi dele. Ele citou vários trechos da consultoria Tendências de dezembro de 98, que considerava o acordo com o FMI "uma ducha de água fria nos profetas que previam uma desvalorização cambial até fevereiro de 99". Cacciola também mencionou análises assinadas pelo próprio Maílson da Nóbrega, afirmando que o memorando com o FMI descartava de vez a desvalorização no curto prazo. Cacciola disse também que tinha informações, mas trocou a palavra por dados, com a seguinte expressão: "informação não, pelo amor de Deus, essa palavra não existe". Esses dados mencionados por Cacciola indicariam que janeiro seria o mês que o país tinha a menor quantidade de compromissos externos e, portanto, a pressão sobre as reservas seria zero. E além disso, o Congresso tinha uma pauta intensa em janeiro com muitas propostas para a provar.





