Membros do Hizbollah no Líbano são mais do que guerrilheiros
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terça-feira, 30 de março de 1999
Por Jack Redden, da REUTERS (assinatura obrigatória) 
Beirute (AE-REUTERS) - O símbolo do Hizbollah pode ser um guerrilheiro levantando uma Kalashnikov, mas dentro do Líbano os membros carregam mais livros e equipamento médico do que rifles de assalto. "Se o Hizbollah não é a maior, esta entre as maiores organizações", disse Hassan
Nasrallah, secretário-geral do grupo que os israelenses rotulam de terrorista, mas que outros vêem como patriota.
Hizbollah, que significa Partido de Deus, é certamente mais conhecido por liderar a resistência armada à ocupação de Israel de 10% do território libanês. Sua competência militar, que cresceu muito desde que o grupo foi formado em 1983 e que é reforçada por uma provada disposição de morrer pela causa, produziu um grande número de casualidades israelenses.
Uma vez representants de uma força combalida que tinha poucas alternativas além de ataques suicidas, os guerrilheiros do Hizbollah são agora bem treinados no uso de seu leve, mas mortal arsenal de Kalashnikovs, morteiros, mísseis Katyusha e bombas terrestres. Seu serviço de coleta de informações parece ter crescido, presumivelmente ajudado pela população que apoia a causa, o que ajuda a explicar o elevado número de emboscadas a tropas israelenses. A mais recente, um ataque a bomba em 28 de fevereiro, que matou um general israelense, reiniciou o debate interno em Israel sobre a continuidade de sua intervenção no Líbano, que já dura 21 anos.
Nasrallah, um barbado aiatolá muçulmano xiita que só pode ser conhecido depois de se ser levado a um escritório em um carro com cortinas cobrindo as janelas, está hesitante sobre o que o Hizbollah irá fazer se Israel vier a se retirar do Líbano. As forças norte-americanas baseadas pela área fronteiriça descartam a idéia de que o Hizbollah irá continuar lutando contra Israel - seus ataques com mísseis através das fronteiras são sempre justificados como respostas a ataques israelenses aos civis libaneses. Mas o Hizbollah é apoiado por Damasco, que quer Israel seja atacado no Líbano até concordar em devolver as Colinas de Golan, que foram capturadas da Síria em 1967.
"Nós queremos que os israelenses sejam desafiados", disse Nasrallah depois de chegar separadamente ao local do encontro na área dominada pelo Hizbollah localizada nos subúrbios no sul de Beirute. "Deixe os israelenses se retirarem e veremos". Apesar disso, o Hizbollah já está abrindo caminho para um papel no Líbano que o grupo espera que dure além da ocupação israelense do sul do país. "O Hizbollah agora é um partido político", disse Nasrallah, cuja voz suave contrasta com a imagem forte da organização no mundo. "O grupo tem sua presença no parlamento e em todas as atividades políticas - e provavelmente um dia irá participar do governo".
Sua popularidade política não foi impulsionada por sua capacidade de emboscar israelenses, mas por uma rede de serviços sociais que preencheram o buraco criado pela guerra civil de 1975-90 no Líbano. Há hospitais, clínicas, escolas e ambulâncias do Hizbollah. "O grupo ensina os libaneses, os trata nos hospitais, está lá quando eles têm problemas", disse um voluntário do serviço de saúde estrangeiro. "Não há ninguém mais fazendo isso". O grupo teve membros eleitos nas eleições municipais do ano passado, as primeiras em décadas, e é ativo nos sindicatos e nas organizações profissionais. Seu movimento estudantil se estende além de suas próprias escolas. Há uma televisão. uma rádio e um site na Internet do Hizbollah.
Seu almoço anual para imprensa foi no hotel Commodore, um local irônico, considerando que era mais conhecido como base dos jornalistas estrangeiros que deixaram Beirute nos anos 80 para evitarem se tornar vítimas dos sequestros atribuídos ao Hizbollah. "Não acho que haja um só campo de atividade social onde o Hizbollah não atue", disse Nasrallah. Por tudo isso, ele não dará detalhes sobre a extensão da estrutura do Hizbollah. Depois de anos de conflito com Israel, o grupo é uma organização profundamente secreta. A Síria e o Irã irão ambos procurar assegurar a continuidade de uma liderança forte como parte de sua luta contra Israel. E com a grande estrutura por trás dos guerrilheiros que ganham as manchetes, não deve haver uma queda no número de libaneses prontos para assumir essa tarefa.


