Membros da comissão
disputam os holofotes
Em ano eleitoral, a atração dos holofotes está criando clima de disputa acirrada entre os integrantes da CPI dos Medicamentos. Deputados e líderes no Congresso já começaram a alertar para a necessidade de evitar que interesses políticos interfiram no resultado dos trabalhos para não desacreditar a imagem da instituição. Mesmo assim, integrantes da comissão admitem transformar sua atuação em dividendos nas eleições municipais. ‘‘É voto’’, admitiu o relator da CPI, deputado Ney Lopes (PFL-RN), que disputará o governo municipal com a atual prefeita de Natal, Wilma Faria (PSB). ‘‘Não vou ser hipócrita e negar que minha atuação na comissão tem trazido resultados positivos’’, disse. Orgulhoso, ele contou que já é apontado nas ruas da cidade como ‘‘o homem que vai baixar os preços dos remédios’’.
‘‘Onde há ação política, é normal que o deputado queira estar em foco, desde que seu trabalho apresente resultados’’, justifica Lopes, que tem tido uma missão a mais na CPI. Almoça ora com o ministro da Saúde, José Serra, ora com o da Fazenda, Pedro Malan, aparando arestas da difícil relação entre os dois. Serra foi um dos incentivadores da CPI e também espera faturar politicamente com seus resultados.
Para o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), é importante que a disputa política não atrapalhe. O deputado José Genoíno (PT-SP) diz que o sucesso da atual CPI é fundamental para não abalar a imagem do Congresso ou desacreditar um ‘‘instrumento importante de investigação’’. Ele lembrou que essa é a quinta CPI de medicamentos. As outras não trouxeram resultados.
‘‘Há casos de CPI que provocaram alarde e depois se esvaziaram’’, alertou o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP). Dentro da CPI, a situação de Ney Lopes e do presidente da comissão, deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS), não tem sido confortável. Enfrentam a pressão dos que os consideram ‘‘tímidos’’ nas investigações. ‘‘Falta coragem para enfrentar os laboratórios’’, acusa o deputado e também candidato a prefeito Alceu Collares (PDT-RS), criticando Marchezan por não ter apoiado uma devassa ampla nos laboratórios. ‘‘Pode parecer, mas não tenho interesses políticos’’, garantiu o presidente da comissão.
‘‘A prova de que Marchezan procura holofote na CPI foi a visita desnecessária que fez ao laboratório da Fundação do Remédio Popular (Furp), em São Paulo’’, retrucou Collares. A preocupação política de alguns deputados acaba frequentemente dando origem a denúncias apressadas e com pouca fundamentação. Há poucos dias, por exemplo, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) teve de sair correndo em busca de provas para dar sustentação a uma denúncia apresentada pelo deputado Iris Simões (PTB-PR).

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